Vida cruel

“Acho muito cruel a vida do político no Brasil”, diz Pezão.

Pois vou falar sobre isso na condição de quem exerceu mandatos e ocupou cargos públicos durante 40 anos e não tem, nem teve, qualquer processo, ou mesmo investigação de conduta, em toda a sua vida.

Entre os que buscam cargos públicos podemos numerar alguns tipos. O primeiro é aquele cidadão que busca o cargo porque não tem capacidade suficiente para encontrar emprego melhor e, às vezes, qualquer coisa é melhor do que poderia obter. Outro tipo é o cidadão que busca o cargo para dele se locupletar, melhorar de vida ou aumentar o patrimônio. Outro caso, enfim, é aquele que quer se dedicar à uma causa, quer contribuir com sua comunidade, com o povo de sua terra, para a melhoria de vida desse e da sociedade como um todo.

É para esse último tipo, e existem muitos, que a vida é cruel. Além do controle natural e necessário dos eleitores e de toda a sociedade eles, se no Legislativo, têm que se submeter, permanentemente, aos olhares críticos de todos e, se no Executivo, além disso tudo, ao incalculáveis sistemas de controle que tolhem a ação e a criatividade dos executores ao mesmo tempo que se transformam em barreiras, muitas vezes intransponíveis, ao correto exercício de suas atribuições.

Junto a tudo isso, vem a Justiça e o Ministério Público, incapazes de discernir entre o joio e o trigo, colocar sobre seus pescoços, permanentemente, uma espada pronta a ser baixada ao primeiro sinal de alguma irregularidade, sem antes se aprofundar no assunto em questão. Eles, tão lentos e injustos, às vezes, irresponsáveis, produzem decisões que, por um lado, beneficiam ou deixam de penalizar merecedores de sanções e, por outro lado, prendem e condenam, sem julgamento, pessoas que, mais tarde, se provam inocentes mas que – tarde demais – já vêem sua vida política e pessoal totalmente arrasadas.

Assim é que se para alguns políticos e agentes públicos a vida é uma festa, para outros ela é cruel.

É preciso encontrar o tom e o caminho certos no trato da função pública. Ela é essencial para a vida do país e não pode ser transformada em local para afugentar os mais capazes e mais dedicados. Pelo contrário deve ter normas que atemorizem os que a tratam como seu patrimônio pessoal e incentivem os que podem, de fato, contribuir com o progresso da Nação.

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