Um prefeito digital e voador, candidato a presidente.

Eu gostaria de não ter de lembrar, diariamente, do prefeito da minha cidade, João Dória.  Infelizmente não dá.  Não há dia em que guiando meu carro não caia em um dos imensos buracos existentes nas vias de São Paulo ou me defronte com uma semáforo com defeito, o lixo nas calçadas destruídas e o mato crescendo.

Porém, felizmente, tenho meu plano de saúde e não preciso de atendimento médico público.  Imaginem quem precisa.  O “Mutirão da Saúde” é, segundo o prefeito, sua vitrine. Vejam essa matéria da TV Globo sobre esse programa:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/gestao-doria-diminui-ritmo-e-fila-por-exames-medicos-volta-a-crescer-em-sp.ghtml

Cada um desses momentos me fazem recordar do seu discurso de campanha: “sou gestor, não sou político…”.   Aí penso comigo: cadê o gestor?

Ah, sim, li uma sua declaração, quando criticado pelo número de viagens que realiza, em que diz que no seu avião particular (a 10.000 metros de altitude) tem wi-fi e que assim está permanentemente ligado com a cidade que dirige.  Não precisa pisar nem no asfalto nem amassar o barro.

Também li que ele voltava de Campina Grande, na Paraíba, onde recebeu o título de cidadão da cidade (a justificativa foi que, no governo Sarney, fora presidente da Embratur e que estivera naquele Estado), pousaria em Guarulhos e iria direto a Paris para se encontrar com Macron, o presidente da França,  ninguém sabe para quê.  Mas que no domingo já estaria na Cidade Adhemar, em São Paulo, para continuar a enaltecer, na roupa de trabalhador braçal, a “São Paulo Cidade Linda”.  Uma atividade febril.

Lá, em Paris, assumiu que, se o povo quiser, ele será candidato à Presidência da República.  Como nosso imperador Pedro I, ao invés de “se for para o bem da Nação e felicidade geral, diga ao povo que fico”, dirá pelas mesmas razões “diga ao povo que vou”.

Nos intervalos de tempo em que ficava em São Paulo, em terra firme presumo, demitiu o seu Secretário de Meio Ambiente e sua Controladora Geral do Município pelo fato de terem se metido a investigar alguns incorporadores de imóveis em hipotéticas irregularidades (propinas  inclusive) por eles cometidas.

Sempre ligado às pesquisas de opinião pública, declarou em Campina Grande, diferentemente do que tem feito em relação ao Lula e ao PT, que “não quer falar mal de ninguém” e que o “discurso de nós contra eles não é a melhor proposta para o Brasil”.  Percebeu que precisa de algo mais para o discurso presidencial, pois se o Lula não for candidato nada lhe sobra.  Nem qualquer vitrine na cidade.

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3 comments

  • Fausto Ivan 5 setembro, 2017   Reply →

    Assim como as táticas estão contidas na estratégia, o gestor está contido no político e não o contrário.

  • Fausto Ivan 5 setembro, 2017   Reply →

    Dória deve estar percebendo que não se vive só de marketing. Os problemas da cidade são gigantescos. É preciso muita dedicação para mudar e conseguir realizar a Cidade Linda. E lealdade não tem preço.

  • Jose 11 setembro, 2017   Reply →

    Parabéns pela sua coerência e coragem em denunciar essa farsa que, do jeito que vai, corre o risco de acabar por sepultar de vez o PSDB.

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