Um governo que se apaga. E a oposição, o que fazer?

O que vai sobrar do governo Dilma? O que vai sobrar da presidente?
Cada dia que passa, nesse primeiro ano do governo da reeleição, o quadro se desenha mais grave.
Esta semana, então, que só está começando, parece o fim do mundo. Chegou o apagão. Sim aquele mesmo que nunca viria, promessa de Dilma. Ah, sim, existem razões objetivas para isso, o calor e a seca não são de rua responsabilidade. Mas é de sua responsabilidade a desestruturação total do setor elétrico, promovida para que se pudesse apresentar, antes das eleições, um tarifa de energia elétrica mais baixa. O setor entrou em crise, até hoje tem mundos de dinheiro a receber, do governo e, em consequência, dos usuários, o que o levou a apertar custos de manutenção e a adiar investimentos. Está em stress permanente. Apesar da nossa indústria estar andando para trás, ainda assim o Operador Nacional do Sistema elétrico pediu aos grandes consumidores que diminuíssem a demanda. Se tivéssemos algum crescimento econômico o apagão seria muito mais geral e profundo.
Mas o governo está sob um apagão permanente. E não será a equipe de resgate ( Joaquim Levy e companhia ) que vai tirá-la da UTI. Vão usando todos os remédios que Dilma disse que não usaria, contra os pensionistas, contra os desempregados, contra as conquistas trabalhistas. Vão aumentar impostos, a Cide, o Pis/Cofins, o IOF, aumentar tarifas de serviços públicos, aumentar a taxa básica dos juros. Tudo isso é paliativo para chegar aos míseros 1,2% do PIB de superávit nas contas públicas ( apenas 66 bilhões para pagar uma dívida que cresce 240 bilhões em um ano ). Os investimentos continuam baixos, a inflação alta, os juros altos, a criação de postos de emprego baixa, o comércio e o consumo em baixa, a credibilidade e o crescimento empatados em zero.
Não é só. As investigações em diversas áreas do governo, em especial na Petrobras, mostram uma total deterioração do governo e dos partidos que o sustentam. Diretores são presos e processados, e se acusam uns aos outros. Até o ex diretor,Nestor Cerveró, que tinha dado uma de fortaleza, já perguntou porque ele está preso e a Graça Foster não. O Sergio Gabrielli que era o presidente da empresa, acusado por diretores, diz que não sabia de nada (?), e já está apontando para a ex presidente do Conselho, a Dilma Rousseff.
É um Deus nos acuda, um salve-se quem puder.
E o que sobra de Dilma e de seu governo? Como vai resistir quatro anos em um quadro de superação difícil, se não impossível. Como e quando será possível uma transição democrática, supondo que a situação não possa ser mantida pelos 4 anos desse mandato.
Essa é a questão posta para a oposição e para as forças democráticas do País. É a nossa tarefa.

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24 comments

  • age 20 janeiro, 2015   Reply →

    Há algum tempo não acessoo seu blog, antes mesmo do período eleitoral. Retornei hoje e vejo que o seu blog, assim como o PSDB continuam na mesma ladainha dos últimos anos. Esperava encontrá-los em um novo estágio, talvez de construção de uma nova imagem eleitoral, almejando atingir os segmentos arredios ao PSDB, ou mesmo capitalizando o muito que a gestão do partido tem realizado em São Paulo, a maior vitrine política do país. Impressionante que esta maior vitrine seja utilizada só pelos meios de comunicação, aos quais interessam só os aspectos negativos pelo sensacionalismo que vende ou por partidos que nadam de braçada no marasmo do PSDB.
    Talvez, se se fizesse um exercício, como seria se o PT governasse o estado, veriam o imenso potencial que tem na mão.Eles utilizariam as realizações efetivamente feitas e os resultados obtidos pelo PSDB como suas e claro que se apropriariam de tudo, como terra sem dono.
    Restaria ao PSDB chorar e reclamar mais uma vez da ética do adversário, posturas improdutivas eleitoralmente.

    • Marcílio 21 janeiro, 2015   Reply →

      Não. Não vejo o que não está no texto. Essa é a realidade do nosso país (que nem usar “P” maíusculo, pois não caberia). Enquanto o aparelhamento da máquina pública quebra o próprio sistema, afogando-se no lamaçal da corrupção, cabe à oposição bradar às margens do Congresso: “Independência ou corte!”. O gigante agora parece uma criancinha desamparada que chora ao não ver a mãe por perto.

  • Armando Benetollo 20 janeiro, 2015   Reply →

    Pois é. O PSDB precisa atuar com empenho como oposição ativa.
    Até agora, somente o Presidente Senador Aécio Neve, o Senador Alvaro Dias e mais dois têm se pronunciado contra este desgoverno. E os outros? Estão lá só para receber o salário no fim do mês?

  • THOMAZ DE AQUINO NOGUEIRA NETO 20 janeiro, 2015   Reply →

    Goldman, você é craque como líder da oposição (também como executivo da situação, mas isto está fora do escopo). Fico confortável e confiante com a sua presença e atuação nessa tarefa de organizar a oposição.
    Acho também que atualmente não basta mais a oposição jogar bem nos parlamentos e se beneficiar da repercussão positiva na mídia e na formação de opinião. Continua valendo mas não basta. Há um vasto público que não está nesse espaço. Não lê jornal, não assiste noticiário. Clicam, curtem e compartilham.
    Dentre as múltiplas frentes de atuação da oposição sinto falta de uma estrutura para responder às críticas e dúvidas veiculadas nas redes sociais. Acho que mesmo as manifestações mal intencionadas devem ser respondidas com sobriedade e cuidado didático. Muitos das curtidas e compartilhamentos repercutem a insatisfação e inconformismo de jovens mal informados que facilmente caem no falso conflito nós-contra-eles. Temos que adotar um apostolado quase jesuítico para argumentar sobre privatização, saneamento de bancos em crise, pedágio rodoviário (se esse tema ressuscitar), saneamento e abastecimento de água, cartel do Metrô-SP, educação, saúde, enfim todos esses tópicos em que argumentos preconceituosos e ou de má-fé são brandidos contra a oposição. Podemos ensinar e aprender um bocado com isso. Para tanto temos que ter uma estrutura montada e permanente. Não vai adiantar aquela correria pré eleitoral com argumentos nem sempre bem alinhavados e raramente ouvidos na babel publicitária da campanha eleitoral.

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      Thomaz você tem toda a razão. Porém, não é tão fácil criar essa estrutura em um partido que nasceu no Parlamento e, até agora, nele atua. Fora dele são apenas alguns lances, tímidos. Não é fácil mudar a personalidade dele.

  • Cléa Maria Granadeiro Correa 20 janeiro, 2015   Reply →

    Governador, e eu pergunto, o que sobra de nós?????

  • Edi 20 janeiro, 2015   Reply →

    Mais do que um comentário – seu texto,como sempre, muito lúcido – uma sugestão: veja o que acontece com o aposentado que recebe mais de um salário por mês. Mesmo que tenha contribuído ao INSS tendo como base dez salários, paulatinamente, vai acabar por receber apenas um, isto se a morte não o levar antes. As políticas de reajuste são cruéis,e diferenciadas…

  • Maurício Oliveira 20 janeiro, 2015   Reply →

    Caro Goldman, corintiano dos bons, eu vou lhe dizer o que sobrará deste governo federal… Alguns tailleurs vermelhos, outros verdes, e um vestido que mais parece traje de garota-propaganda da Comgás, que ela usou na posse. O resto serão fatos a lamentar.

  • Fabio Meirelles 21 janeiro, 2015   Reply →

    Que tal o senhor comentar os vinte anos que seu partido PSDB está roubando, destruindo e SECANDO o Estado de SP?
    Antes de falar do desgoverno petista, analise o caos governamental tucano de SP.

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      FAbio, por que “antes de falar”? Por que vc não fala e faz as comparações? O espaço está aberto para a sua defesa do desgoverno petista e do ataque ao caos governamental em SP. Uma boa comparação.

  • ELSA FUNARO 21 janeiro, 2015   Reply →

    É um desgoverno e uma falta de gerenciamento muito grande.
    Para ocupar vaga numa grande empresa é preciso nível universitário na área desejada, falar um idioma, etc….Para ser político, basta enganar uma população que mal sabe escrever seu nome. Porquê não é necessário nível universitário para ser político??? Um político com pouco estudo, não está em condições de interpretar a constituição, leis, normas, etc….Ele não soube dar estudos à ele mesmo, porque, daria a outros? Daí temos esse Congresso inchado e cheio de incompetentes, que estão lá, só para serem comprados por políticos corruptos e para fazer o OBA! OBA! contra a posição. Não se pode confundir DEMOCRACIA com ANARQUIA. Deveria ter faculdade de política e administração social, que fosse exigida para todos que fossem candidatos a algum cargo político. É vergonhoso para nós brasileiros perante o mundo globalizado, ver os desmandos e as “abobrinhas” que falam nossos políticos. Sem visão de mundo, somente com o ideal de se dar bem na vida, a custa do povo

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      Elza, engano seu. Os grandes malandros estão justamente entre aqueles que têm nível universitário. Conheci quase analfabetos excepcionais e pos graduados que mereciam estar na prisão. A questão não é essa

  • Gilmar 21 janeiro, 2015   Reply →

    Faz um favor para o Brasil! Seja oposição consciente, ok! Não se preocupe com a Presidência não, tente novamente em 2018! Sem mais!!

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      Sandro, os dois podem usar. Acontece que a Dilma explodiu o setor. A falta de energia elétrica não é só falta de água. É muito mais.

  • sandro 21 janeiro, 2015   Reply →

    Bom, se Dilma não pode culpar a seca pela baixa geração nas hidrelétricas, acredito que Alckmin também não possa usá-la na deficiência do abastecimento de água em SP, correto? Deus, quanta incoerência!!!

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      Sandro, a seca pode explicar a falta d’água tanto para abastecimento quanto para geração de energia elétrica. No caso do setor elétrico
      existe a agravante das mudanças feitas por Dilma no setor, impondo tarifas irrealistas que estão sendo cobradas agora. Isso impediu investimentos das empresas para enfrentar o drama atual, aliás que vem sendo previsto há muito tempo.

  • Vinicius 21 janeiro, 2015   Reply →

    O Sr. está propondo um golpe? É isso?

    • Alberto Goldman 21 janeiro, 2015   Reply →

      Quando tiramos o Collor, eleito pelo voto popular, Vinicius, cometemos um golpe? Não! Usamos a lei e a Constituição. Se a Dilma estiver enquadrada, e só nesse caso, deve ter o mesmo destino. Aliás não é à toa que são hoje aliados.

  • Marcos Araceli 21 janeiro, 2015   Reply →

    Tirar a Dilma não vai acrescentar uma gota d’água ao cantareira e quando o cantareira secar o povo vai cuspir vocês tucanos de São Paulo! Vi isso acontecer com o Collor!

  • Nilton Branco 21 janeiro, 2015   Reply →

    Golpista desonesto, Sr. Goldman. Seu projeto, seu partido e seu candidato foram rejeitados pelo povo brasileiro. Arrume projeto, partido e candidato melhores e volte em 2018. Desonesto intelectual!

  • Nilton Branco 21 janeiro, 2015   Reply →

    Goldman, você se esquece do racionamento provocado pelo seu partido em 2001/2002. Ao final do mesmo, a população, depois de se sacrificar e economizar energia, teve que pagar aumento na conta para repor o faturamento das empresas do setor elétrico. Triste, Goldman, triste! Veja história em http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/03/08/sina-do-psdb-o-partido-do-apagao-e-do-racionamento/

  • luiz sergio 21 janeiro, 2015   Reply →

    A FALTA DE CHUVAS E ENERGIA, É UM MOTIVO PARA O GOVERNO EXPANDIR O DESENVOLVIMENTO NA ENERGIA AEOLICA E SOLAR. QUE EU CONHEÇA A PETROBRAS FORNECE GAS PARA DUAS TERMOELETRICAS, DEVERIA ESTAR FORNECENDO PARA 4 TERMOELETRICAS 3 NO RIO E 1 NO NORDESTE. COMO UM PAIS PODE CRECER INDUSTRIALMENTE SE NÃO TEM ENERGIA SUFICIENTE PARA AS INDUSTRIAS ?

  • Diogo Stepaniak 21 janeiro, 2015   Reply →

    Impeachment Dilma já!

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