Um encontro que levantou questões relevantes para o PSDB e para o país.    Qual o partido que queremos?

 

 

Como era de se esperar foi de vitória o tom da reunião do último sábado dos prefeitos eleitos do PSDB de SP com a presença de lideranças estaduais, ministros de Estado e convidados de outros estados.  Muitos discursos foram entusiasmados com uma apologia ao partido e aos seus líderes e com uma visão otimista sobre os resultados possíveis em 2018.

A meu ver, no entanto, faltou um maior aprofundamento sobre as razões que levaram o povo a nos dar um expressivo número de votos, em especial nas eleições majoritárias, e sobre o porque nas eleições para as câmaras municipais, que retratam melhor a força do partido, os resultados não tenham sido tão retumbantes.

A verdade, temos que ter a coragem de dizer, é que o nosso projeto de oposição aos governos lulo-petistas, foi vitorioso muito mais pelos erros por eles cometidos, muito mais pelo dramático quadro econômico e social em que eles colocaram o país e pelo conhecimento, a cada dia mais profundo, dos crimes cometidos, do que por nossas virtudes ainda que tenhamos caminhado, no fundamental, na direção correta.  Mas também é evidente que a deterioração do PT e de seus governos e o repúdio aos políticos e à atividade política que toda essa situação provocou fez o eleitor buscar qualquer coisa – a expressão qualquer coisa é correta – que não se identificasse com o status quo e isso, em alguns casos, nos favoreceu como opção, às vezes única, para a expressar a fúria popular.

Assim sendo é preciso ter a clareza que nossa vitória foi importante, porém ainda relativa, pois não expressou apenas nossos acertos mas, fortemente, os erros dos adversários.  Ainda mais ter a clareza que a polarização PTxPSDB se encerrou pela morte, ainda que por tempo que não é possível avaliar, do polo petista, o que nos obriga a repensar o nosso papel.  E também que a vitória do pensamento conservador, representado pela rejeição ao “político”, passa a ser um elemento de alta preocupação para o partido que nasceu, cresceu e foi vitorioso exatamente pela exaltação da ação política como o cerne do pensamento progressista e da própria democracia.

Na reunião dos prefeitos os oradores procuraram trazer algumas informações e ideias sobre o exercício da função de prefeito e sobre as responsabilidades e a forma de se relacionar com o povo de cada um dos eleitos.

A mim chamou a atenção o discurso do prefeito eleito de Teresina, Firmino Filho, um economista de apenas 53 anos, eleito pela quarta vez, em um Estado sob o comando do PT.  Fato inédito, creio, de um prefeito de capital, do PSDB, ser eleito quatro vezes, ainda mais na capital de um dos Estados – o Piauí – mais pobres do pais.   Firmino fez questão de salientar a responsabilidade política dos prefeitos, afirmando que “ser prefeito não é ser gerente, é ser líder político” e sob essa ótica se relacionar com o seu povo.  Ele não diminui a importância da gestão das cidades, necessária e essencial para enfrentar os desafios do cargo, mas não a compreende como suficiente.  Afinal ao povo o que interessa são os resultados da administração para a sua qualidade de vida, porém o prefeito Firmino coloca a boa gestão como instrumento de ação subordinado à ação e à liderança políticas.

Penso como ele!  Esse é o meu PSDB!  Esse é o partido que eu quero!

Outra questão ressaltada na reunião foi o discurso de alguns levantando a tese das prévias para a escolha do candidato a presidente em 2018, sob o argumento de que as prévias na capital paulista tinham sido um sucesso.

A meu ver colocar a questão de 2018 nesse momento em que começamos um governo federal novo, com a nossa participação, em um quadro nacional dramático no qual não sabemos as consequências e os resultados que serão alcançados, é uma temeridade, um desvio em relação as nossas grandes responsabilidade de condutores da vida política nacional.  Além disso apontar as prévias em São Paulo como modelo nacional é tapar o sol com a peneira, é esconder a realidade.  Na capital paulista 27 mil filiados estavam aptos a votar na prévia mas, no primeiro turno, só votaram pouco mais de 6 mil e no segundo turno pouco mais de 3 mil, com o uso do poder econômico e da ação expressa do poder político.   Portanto muito longe da legitimidade que se exige para a escolha de um candidato.  Algo assim no plano nacional seria um desastre.

Temos legal e estatutariamente um processo bastante democrático para a escolha de candidatos: a realização de uma Convenção Nacional em que os delegados são eleitos nos Estados a partir das Convenções Estaduais que se realizam com a presença de delegados eleitos nas convenções municipais, estas por sua vez com a participação de todos os filiados.  É um processo indireto, mas legítimo, que tem sido a forma que os partidos utilizam para suas decisões.  Porém se desejarmos algo ainda mais legítimo, deveremos buscar o sistema de primárias, adotado em vários países, em que para a escolha do candidato do partido não votam apenas os filiados mas votam todos aqueles eleitores que se sentem vinculados ou simpatizam com o partido, mesmo não sendo filiados.  Seria uma prévia/primária em um colégio eleitoral mais amplo e disseminada entre milhões de eleitores.  Assim pode se desfazer, pelo menos em parte, os efeitos do poder econômico e do poder político que, em um colégio eleitoral limitado, influem decisivamente

Enfim ainda muita água vai correr debaixo da ponte e temos tarefas e responsabilidades imensas a cumprir antes de nos dispersarmos a discutir as eleições de 2018.

 

 

 

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