Terra arrasada.  Como construir o amanhã?

 

Só se vê terra arrasada após a ação do Ministério Público Federal e a divulgação das delações premiadas dos diretores da Odebrecht.   Eis em sua inteireza a grande obra dos governos petistas nos seus 13/14 anos de governo.  Sobram só cinzas.

O Ministério Público Federal até agora pouco investigou.  Só apresentou aquilo que os corruptores de uma das maiores empresas brasileiras expuseram.   E vem mais por aí.  Não foi capaz de analisar as contribuições irregulares de recursos financeiros para as campanhas eleitorais e mostrar como se diferenciam dos crimes de corrupção, de troca de favores, de contrapartidas praticados por políticos corruptos e empresários idem.  Colocou, com a cumplicidade da mídia, todos no mesmo saco, tudo como operação de saque de dinheiro público, misturando gente decente que muito contribuiu para o país com quem se locupletou das suas posições de governo e de mando para preservar o poder e enriquecer.  Mostrou, até agora, falta de competência em esclarecer os fatos e as responsabilidades concretas de cada um.  Tudo em nome da moral e da decência e dos aplausos da opinião pública.   Se satisfez com uma política de terra arrasada, não praticou o que lhe é essencial: a busca da verdade e da justiça.

Como vamos construir o amanhã?

Dezenas ou centenas de líderes políticos da maior integridade moral estão sendo destruídos, colocados ao lado de verdadeiros bandidos, quadrilheiros,  em nome de uma pretensa limpeza, da higienização da política, levando o cidadão comum a crer que só sujeira existe na atividade política.  É falso.

Convivi por décadas com muitos dos agentes políticos atingidos.  Muitos merecerão condenações da Justiça pelos atos cometidos contra os interesses do país e do nosso povo.  Mas muitos vão sofrer de forma injusta e indevida pela irresponsabilidade de instituições que têm a obrigação de discernir entre coisas diferentes.  As manchas serão indeléveis.

Muitos dos atingidos injustamente eu conheço de muito tempo, em função de minha atividade política de mais de 4 décadas.  Por todo Brasil existem políticos honestos destroçados por acusações sem que sequer o início das investigações tenha se dado.  Com maior intimidade conheci alguns deles em meu Estado de São Paulo e vou citar apenas como exemplo três figuras paulistas da maior respeitabilidade com os quais convivi e convivo há décadas: José Serra, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes.

Serra, um talento político, um homem de formação cultural, política e moral que marcou a vida do país, que já contribuiu de maneira profunda para a vida brasileira.  Alckmin que se dedicou à atividade política desde vereador em sua cidade, sempre com um papel ativo e consciente para o bem dos brasileiros.  Os dois simples, humildes e sem patrimônio financeiro expressivo.  Aloysio combatente desde a juventude por um país mais justo e mais humano.  Os três, paulistas, dedicaram a sua vida ao nosso povo, são um exemplo para todos nós.

Sou testemunha da sua seriedade e devoção ao interesse público.  Todos jogados na mesma vala suja desvendada pela operação lava jato.  Todos enlameados e, talvez, destruídos.  Quem vai substituí-los?  Talvez algum ex militar que tem saudades da ditadura.  Ou algum homem de negócios, enriquecido, que se auto intitula gênio da administração.  Ou algum famoso que nunca colocou os pés na realidade dramática do nosso país.  Ou qualquer um que se proclame como ante político mas na realidade pratica a política da forma mais dissimulada e rasteira.

O país deve buscar forças para reagir, não escondendo a sujeira para baixo do tapete, pelo contrário, mostrando-a como ela é, mas preservando o que temos de bom.

E temos muito de bom.

Não fiquemos acovardados.  Vamos unir os melhores do país banindo a corrupção e assumir a tarefa de construir um amanhã saudável uma vida democrática digna desse nome.

 

 

 

You may also like

One comment

  • Claudio Goldman 20 abril, 2017   Reply →

    Análise perfeita.

Leave a comment