Placebo eleitoral e “efeito jaleco”.

 

Você sabe o que é um placebo?  É um produto falso, um remédio inerte, que não provoca resultados, nem bons, nem ruins.  Via de regra o objetivo com o seu uso é criar a sensação de que uma doença está sendo atacada.  O doente pensa que está sendo atendido de forma correta, mas é pura imaginação que, por efeitos psicológicos, pode resultar em alguma melhora.

E você sabe o que é “efeito jaleco”?  É a mesma coisa.  Só a presença de um jaleco branco faz um doente se sentir melhor.  Nem sabe se é médico ou enfermeiro, mas já se sente melhor.  Já se sente protegido e pensa que será tratado.

É o caso do programa “Mais médicos”.   Só o jaleco branco não resolve nada.  É preciso muito mais.  Tratar assim as carências na área da Saúde é um crime. Enrolação de um governo que tinha mais de 10 anos para enfrentar os problemas.  Não o fez.  Agora vem com essa mistificação.

E  não me venham com a história de que é melhor isso que nada.  Às vezes, nada é melhor.  Mantém a pressão sobre os governantes para soluções verdadeiras.

Hoje quem dirige esse país é o chefe do marketing da campanha eleitoral, o João Santana, que é muito mais do que a imprensa vem destacando: o quadragésimo Ministro de Estado.  Até os programas na área da Saúde ele define.   Não é à toa que na chegada da primeira leva dos médicos cubanos eles se apresentaram para as fotografias, ao lado do avião que os transportou, vestidos com o jaleco branco.  Uma cenografia digna de profissionais do marketing eleitoral.

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10 comments

  • Mario 2 setembro, 2013   Reply →

    Prezado Goldman,

    Em postagem anterior, o senhor me sugeriu que eu transferisse meus conhecimentos. Apesar das minhas limitações, vou tentar. Bom, eu trabalhei um mês no Ministério da Saúde como Analista Técnico de Políticas Sociais, cargo que só teve concurso público porque o Ministério Público do Trabalho forçou o governo federal a realizá-lo, conforme PORTARIA INTERMINISTERIAL MP/CGU Nº 494, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2009. Isto porque o governo contratava consultores internacionais (da Opas, por ex.) para cuidar da saúde pública (se não me engano, estes contratos ficarão em vigor até o final do ano). Pedi exoneração porque passei em outro concurso aqui em São Paulo. Bom, eu sei que há outros contratos do Ministério da Saúde com a Opas, que envolvem outros objetos, sei também que são questionáveis do ponto de vista da licitação e concurso público (é claro que só uma análise mais aprofundada poderia apontar irregularidades, porque por enquanto são apenas questionáveis como qualquer relação entre poder público e particular). Infelizmente, eu não tenho autoridade para exigir uma análise aprofundada desses contratos, nem levo jeito para ser Francenildo caso haja alguma coisa irregular. Quem tem autoridade e prerrogativas para tanto não parece se importar com essas terceirizações internacionais. Na minha última semana em Brasília, assisti a uma sessão no Senado Federal e, para minha tristeza, havia apenas meia dúzia de Senadores criticando medidas do governo (o assunto era o diplomata Saboia), a saber: Aloysio Nunes, Álvaro Dias, Pedro Taques, Jarbas Vasconcelos e mais uma Senadora que não me lembro o nome. Meu Deus!, um assunto daqueles de Direito Internacional e meia dúzia de Senadores da República de um total de 81. Concluo meu comentário citando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento que o estado brasileiro é signatário, embora tenha violado nesta vergonhosa contratação de cubanos:

    “Artigo XXIII

    (…)
    2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho(…)”

    Mario

    • Alberto Goldman 5 setembro, 2013   Reply →

      Mario, não há nada de irregular ou estranho contratar consultores internacionais através da Opas ou qualquer outro organismo. O que não se pode é contratar trabalhadores, com contratos de 3 anos, para prestar serviços sem se submeter à legislação brasileira.

      • Mario 5 setembro, 2013   Reply →

        Discordo. No caso desses consultores terceirizados, embora houvesse carreira de estado criada por lei desde 2009 (lei nº 12.094), o concurso público para a área só foi realizado em 2013. Quer dizer, trabalhadores escolhidos sem a isonomia do concurso quando devia haver. Infelizmente, o governo federal demorou 4 anos para fazer a lei sancionada pelo Presidente da República ser cumprida. Mas no Brasil ninguém respeita as leis tal é o nível de desmoralização das instituições.

        Mario

        • Mario 5 setembro, 2013   Reply →

          Foi realizado em 2012 com nomeação em 2013, quero dizer.

  • Eliane Sevi 3 setembro, 2013   Reply →

    Comentàrio muito justo !!! Sr Alberto Golgman là na Assemblèia Legislativa durante o debate que presumo que tem eu lhe pergunto:esse Governo tem oposiçao ?Ou a Presidente Dilma governa sem nenhum controle e sem nenhuma consultaçao . Tanta barbeirage que na realidade nao sei como o Congresso que representa o Povo nao se levanta contra e, oferece uma proposta adequada a situaçao brasileira .

  • GLAUCIO 3 setembro, 2013   Reply →

    Eu achei muito interessante a forma como abordou o tema, mas vamos concordar que não estamos inventando a roda. Afinal; este Show de marketing que estamos assistindo com o programa mais médicos ja foi exibido antes nos programas: minha casa minha vida, PAC, e as mais diversas bolsas assistenciais que o governo federal criou através de seu presidente em exercício João Santana. Mas a questão é. Vamos ficar aguardando o resultado deste espetáculo? Também ja sabemos qual é. Uma alta na popularidade da presidente afinal ao ver o jaléco a pessoa ja se sente bem. O que precisamos é de ação para combater este estelionato governamental. E o PSDB que deveria abrir os olhos da população e divulgar suas realizações no governo do estado não faz nem uma coisa nem outra. Está preocupado em fazer monção a Mather luther king e expulsar Walter Feldman do partido. Esta tão distante da sociedade que não consegue enxergar seus anseios. O que a sociedade espera do PSDB é o embate, são político com coragem, é fazer o papel de oposição a este governo… Mas se depender de alguns quadros deste partido será mais fácil conseguir um ministério no próximo mandato e juntarem-se a ele.

  • Benedito Luiz Costa 3 setembro, 2013   Reply →

    Pois é meu caro Goldman. Neste nosso País, o placebo, infelizmente, funciona melhor que os remédios verdadeiros… os jalecos também. Isso explica o sucesso dos petrarcas. No entanto, cadê a oposição? A impressão que dá é que está “dormindo em berço esplêndido”. Você é das poucas vozes que “clamam no deserto”. O Aécio Neves disse uma vez que a oposição tem que ser responsável. Concordo. Só que, antes disso, tem que ser aguerrida e implacável. Caso contrário, viram coniventes, pois, “quem cala consente”.

  • augusto cezar 3 setembro, 2013   Reply →

    Compartilho com o artigo. Vivemos uma situação que está na mente de todos os brasileiros de que um erro pode justificar outro. De que fazer alguma coisa é melhor do que nada, como citado no texto. NÃO QUERO MAIS E MELHOR. Chega de enrolação, corrupção, mentiras, marketing falso e informações nebulosas.

    • Paulo 3 setembro, 2013   Reply →

      Concordo em gênero número e grau com os comentários supra. Mas faço um aleta. Logo virão os fardados de Cuba, como na Venezuela, e estes não serão placebos ideológicos. Serão genéricos ideológicos

  • Johnny Notariano 3 setembro, 2013   Reply →

    Essa do Placebo é muito boa. Lembro-me na USP, no lavabo da FEA, encontrei-me por acaso com o ex- ministro Mário Henrique Simonsen e entre palavras soltas ele soltou uma frase que foi parar na mídia, eu comentei e ele falou: – não existe inflação, é tudo psicológico!-Então estamos diante de uma inflação psicológica? Até hoje estou tentando interpretar onde quis chegar o monetarista Simonsen.

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