Padilha em campanha dá uma de malandro

Alexandre Padilha, Ministro da Saúde do governo Dilma, não é nenhum tonto. Assisti a sua intervenção nesta semana passada, no plenário da Câmara dos Deputados, quando houve a convocação de uma audiência, por proposta do DEM, para tratar do programa “mais médicos”.   Muito habilmente foi citando cada parlamentar presente, mostrando conhecer a ação de cada um deles.  Inclusive citou a mim, que lá estava na condição de um cidadão qualquer, lembrando o papel que tive na luta pela redemocratização do país.  Um homem preparado, usou de sua experiência de líder estudantil que fora em seu período de estudante de medicina.

Mostrou que será um oponente de respeito na próxima campanha eleitoral.  Não me convenceu porque não justificou a inação em quase 11 anos de governo petista, na área pela qual ele é agora responsável, e não explicou porque ela – a Saúde – se encontra em tal situação de calamidade que estaria sendo necessário se importar médicos cubanos, que não passam por uma avaliação mais séria sobre os seus conhecimentos e capacitação para cuidar de nosso povo como manda a lei para qualquer médico estrangeiro

Mais indignado fiquei ainda ao ler a sua entrevista nesse domingo ao Estadão. Quando o entrevistador lhe pergunta o que achou da reação da classe médica, Padilha dá uma de malandro e responde que “alguns grupos tiveram uma reação que reforça a visão preconceituosa, de xenofobia, de truculência, não só com o médico que vem de fora, mas em relação ao médico negro”.  Ouvimos, diz ele, “voltem para a senzala”.

Aí se apresenta o malandro, o jogo inescrupuloso, ao deixar de responder à pergunta e remeter a alguém que possa ter tido a ousadia de fazer aquela exclamação, querendo dizer que os médicos são preconceituosos e racistas, como a colocar todos na vala comum.  O entrevistador se referia à classe médica, às instituições representativas e não a algum energúmeno qualquer.

É pena.  Padilha tem um bom currículo, mas vai entrando na mesma linha dos militantes petistas que, na sua origem, tinham conduta ética mas que, com o uso e o abuso do poder, se transformaram em seres inescrupulosos e abomináveis.

Por aí se pode ver como vão se portar na próxima campanha eleitoral.

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6 comments

  • vicente dianezi filno 8 setembro, 2013   Reply →

    Goldman, estou aguardando um comentário sobre a entrega do pré sal para os chineses.

  • JCM 9 setembro, 2013   Reply →

    E ,a oposição faz o quê?

  • José Luiz Costa Pereira 9 setembro, 2013   Reply →

    Desde de a redemocratização, com início no governo Sarney, todos, todos os governos foram cúmplices de uma política criminosa de sucateamento dos serviços públicos de saúde que sempre primaram pela excelência, para obrigar a fuga da população carente para a medicina de grupo privada. É só ver, dentro deste período, a relação de crescimento dos Planos de Saúde e a deterioração da saúde pública.
    Igualmente, se verificarmos na educação verificaremos que o mesmo fenômeno ocorreu. A mesma ação criminosa se deu com o sucateamento da educação pública, que sempre foi de ótima qualidade, para favorecer à indústria da educação privada.
    Tudo isso em nome de uma política neoliberal de concepção de um Estado mínimo e entregando para a “mão do mercado” a sua regulação, como defendeu Adans Shmith, e foi seguido por Margareth Tatcher, Ronald Regan, política adotada aqui e com maior desenvoltura no governo FHC..

    • Alberto Goldman 9 setembro, 2013   Reply →

      Pelo contrário, José Luis, durante o governo FHC toda a privatização foi acompanhada pela criação das agências reguladoras, em que os diretores têm tempo de mandato e autonomia administrativa. Os nomes dos diretores são apresentados pelo governo e aprovados pelo Senado. Foi assim no setor energético, comunicações, transportes, saúde, aviação civil, etc. O PT avacalhou com o sistema entregando os cargos aos arranjos políticos com a sua base que, amplamente majoritária, aprovou nomes muitas vezes sem as condições mínimas para o exercício das funções. Vide a Agência Nacional do Petróleo cuja presidência foi entregue ao PCdoB, a Haroldo Lima, um feroz adversário da flexibilização do setor. Inclusive o mesmo ocorreu na Agência de Vigilância Sanitária e nas outras agências.

  • Milton Terra 9 setembro, 2013   Reply →

    Prezado Goldman,

    Percebi a MALANDRAGEM do Padilha quando ao responder uma representação eleitoral por propaganda antecipada no facebook disse desconhecer o responsável pela página que tratava da sua campanha ao cargo de governador. Ocorre, que caiu em contradição ao falar para a imprensa que mandaria suspender a página depois da decisão da justiça eleitoral.

  • Antonio Marques 12 setembro, 2013   Reply →

    Alberto,

    Infelizmente, com uma oposição inerte, sem qualquer tipo de ação para enfrentar os desmandos dos Petralhas, teremos apenas que nos resignar a ter mais um poste sendo enfiado goela abaixo pelo “nove dedos” em nosso Estado,
    agora como governador.

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