O PSDB errou e continua errando.

 

 

O PSDB nacional na apresentação do seu programa partidário na radio e tv, feito a poucas mãos, diz que errou.

O PSDB errou sim, e mais uma vez erra ao deixar de apontar os maiores erros do partido.  O maior erro do partido não foi aceitar o fisiologismo, já que este não o atingiu da mesma forma que atingiu os demais partidos que dominaram o país nos últimos anos nem se submeteu, pela maior parte de seus membros, às políticas do toma cá, dá lá, a troca de votos por demandas individuais.  Pelo contrário, durante todo o reinado petista, foi combativo e um dos mais importantes instrumentos que possibilitaram uma nova perspectiva para o país.

O maior erro do partido, devemos reconhecer, é não fazer política desde a degringolada do PT:  não tem sido capaz de reunir nem sua direção, nem seus membros com maior grau de responsabilidade para avaliar o Brasil dirigido pelo PT e seus asseclas, nem definir posições sobre o Brasil  de hoje, muito menos o Brasil que queremos amanhã.

O PSDB tem sido um amontoado de ideias individuais e de interesses privados de dirigentes que objetivam seu próprio futuro.  Nesta legislatura e após a queda de Dilma e do PT, o partido não se definiu de forma clara, homogênea e combativa sobre nenhum dos temas fundamentais para a sociedade brasileira, como um conjunto de pessoas capaz de discutir, tirar conclusões e aplicar os princípios democráticos de decisão em que a maioria decide e a minoria acompanha.  Cada parlamentar vota como quer impelido muito mais por seus interesses imediatos do que pelo interesse público.

Falo em meu nome e, com certeza, em nome de outros milhares de militantes partidários.  Em meus quase 50 anos de atividades políticas não tenho, como muitos não têm, me vergado aos interesses fisiológicos, no toma cá dá lá, na troca de favores.  Não faço o jogo da velha política, pelo contrário, penso o país como um todo, no interesse público.

Esse modelo falido que criticamos faz parte da história do país,  perpassou o nosso governo quando presidimos o Brasil, foi se tornando dominante durante os governos do PT e ainda o é nesse governo do qual participamos pela necessidade de garantir uma mínima estabilidade ao país em um período de transição para as futuras eleições de 2018.

Não me sinto representado no programa do partido.  Ele não expressa o que penso, nem expressa a minha experiência vivida.

Venho lutando com todos os meus meios para que o partido tenha posições sobre todos os grandes temas nacionais, em especial o tema fundamental do momento que é a reforma política que o país necessita.  Mesmo agora, com a nova presidência da sigla, não conseguimos sequer tomar uma única decisão que unifique ou ao menos defina uma maioria que possa apresentar à Nação propostas tanto na órbita econômica como na órbita política.

O nosso problema, o nosso erro, é a inação.  A covardia em assumir posições por vezes difíceis e cheias de conflitos.  Mas assumi-las e enfrenta-las deve ser a atuação de um partido que pretende dirigir o país.

 

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One comment

  • Alberto Figueiredio 19 agosto, 2017   Reply →

    Goldman, seguramente o país em que vivo não é o mesmo que o seu, do mesmo modo o PSDB que enxergo. Afirmar que nos 13 anos de petismo o PSDB foi combativo, só se for usando lentes coloridas. Há muito o PSDB deixou de ser um conjunto, pois não se reúne para discutir pautas e ideias, as lideranças além de corroídas em ideias e pelo tempo, quase todas com mais de 70 anos, não defendem nem mesmo as ideias que deram certo, como visto nas 4 campanhas presidenciais perdidas para o PT. Justamente porque cada um apenas defendia os próprios interesses, coisa que pode ser vista diariamente. Tenha paciência senhor. Se além de publicar blogs tem realmente interesse de resgatar a antiga grandeza do PSDB, saia de casa e reúna as lideranças e quem mais puder para retomar ao bom rumo discutindo ideias. E parar de agir com o fígado.

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