O governo petista desmorona, já, antes da nova posse

 

Premonição?  Não!  É a herança do governo Lula que começa a emergir.

No último post, “a hora da verdade”, há quatro dias, escrevi o seguinte:

“…Por cima de tudo isso um enorme escândalo – a Petrobrás – que vai se desdobrar por muito tempo com muitas revelações bombásticas que vão afetar profundamente a presidente e o seu antecessor, bem como os seus governos, tudo isso no meio de uma crise econômica muito séria que, além da inflação, provocou a estagnação da economia.”

Ontem os jornais estamparam uma enorme ação da Polícia Federal, com a prisão de um ex diretor da empresa, Renato Duque, que representava os interesses do PT, e de dirigentes das maiores empresas construtoras do país.

Não imaginem que eu tinha alguma ‘inside information”.  Não tinha.

Quero deixar claro que não gosto do show que a PF costuma dar quando decide prender alguém de expressão política ou econômica.  Para que informar a imprensa com antecedência?  Para possibilitar fotos dos detidos entrando no camburão ou na sede da PF?  Expô-los à execração pública sem julgamento?   Não é necessário, nem me parece condizente com as regras democráticas.

Fora isso, dona Dilma e, principalmente seu antecessor, o dr. Luis Inácio, estão sob o foco do maior escândalo da história brasileira, como nunca antes nesse País, com graves consequências para o presente e o futuro deles.  E de todos nós.

 

E o Balanço que não saiu?

A Petrobrás não vai publicar o balanço obrigatório já que a sua auditoria – a PricewaterhosueCoopers – decidiu não dar seu parecer até o esclarecimento dos episódios do escândalo, e em função das investigações do órgão regulador do mercado de capitais americano, já que a Petrobrás é uma empresa de capital aberto com ações na Bolsa americana.

Tudo isso já provocou uma queda no valor das ações e consequente diminuição do seu valor patrimonial.   Além disso, a falta da publicação do balanço pode levar a um vencimento antecipado de títulos da dívida da empresa e à perda do “grau de investimento” o que acarretaria despesas maiores em juros com o giro da dívida.

As denúncias que veem sendo feitas atingem o ex-presidente da empresa, Sergio Gabrielli, e já respingam na atual Graça Foster.   As coisas ficam cada vez mais complicadas.

 

Perda de postos de trabalho

Pela primeira vez, desde 1999, em um mês de outubro, foram fechados mais postos de trabalho formais que os que foram criados.  O resultado é uma perda de 30 mil postos de trabalho, especialmente na construção civil, na indústria de transformação e na agricultura.  A meta no ano, que era da criação de um milhão de postos pode não ser atingida.  Mais uma demonstração de que economia vai mal.

Isso significa que o crescimento do PIB, em 2014, poderá estar em torno de 0%.  E o PIB per capita, será negativo.

 

O não cumprimento da meta de superávit

Entenda o que significa isso.  A dívida pública federal ultrapassa 2 trilhões de reais e sobre ela o governo paga 12% ao ano, isto é, mais que 200 bilhões.  O orçamento e a lei de diretrizes orçamentárias de 2014 mandam o governo economizar cerca de 90 bilhões durante o ano – é a meta de superávit – para que parte, apenas parte, dos juros sejam pagos, e o crescimento da dívida seja apenas aquilo de juros que o orçamento não comporta.

O governo chegou a outubro, ao invés de economizar parte do que tinha de realizar durante o ano, com um déficit de 15 bilhões.  Só em setembro, no mês anterior as eleições (não é coincidência), gastou 20 bilhões a mais do que recebeu de impostos.   Vale dizer, chegará ao final do ano sem economizar nada para pagar qualquer parcela dos juros.  É crime.

O que tenta fazer o governo?  Manda um projeto de lei, no fim do exercício fiscal, para que aquela economia determinada em lei deixe de existir permitindo que despesas feitas com investimentos não sejam consideradas despesas, e receitas que o governo abriu mão para incentivar a produção, portanto não existiram, sejam consideradas receitas reais.  O superávit poderia ser…zero.

Em resumo despesas deixam de ser despesas e ausência de receitas passam a ser receitas.  Manjaram?

Qual o objetivo?  Evitar que a presidente seja denunciada criminalmente com o descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.  Isto é, evitar ser incursa em crime de responsabilidade, passível de perda do mandato.  Isso chama-se impeachment.  É a lei, é a Constituição Federal.  São as regras da Democracia.

Como o governo pretende aprovar a lei no Congresso?  Só tem uma forma: o toma cá, dá lá.  Será mais uma demonstração de compra e venda, mais uma vez como nunca antes nesse País.

 

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7 comments

  • Markut 16 novembro, 2014   Reply →

    Bom seria se esse congresso, anestesiado durante 12 anos, se dê conta que tudo tem limites, até a roubalheira.
    Se a nave petista está adernando, é o momento de os ratos de sempre abandonarem o navio o que facilitaria o retorno de uma oposição que, pelo menos, metade do eleitorado brasileiro apoiaria.

  • Johnny Notariano 16 novembro, 2014   Reply →

    Parece que toda a casa está ruindo. É normal demonstrar serviços ao entrar em uma nova fase. Até a Marta Suplicy desistiu. É educado colocar o cargo a disposição ao entrar um novo Governo, mas o governo é o mesmo, então a entrega dos cargos não seria parâmetro para deixá-los pois, eles lá já estavam!!! O que ocorre é a insatisfação com o que virá pela frente. Veja a Universidade de São Paulo, que vergonha. O Governo de São Paulo não tem culpa. 1972 salários muito além do salário do Governador e Reitor. Funcionários sem nível universitário ganhando mais de 30 mil reais por mês. O Reitor pela informação é PETISTA, foi líder. Vejam em Ribeirão Preto na Faculdade de Medicina, outra vergonha. Como serão os futuros formandos da USP? Dá nojo. Na semana o REITOR falou que não há mais crise e que tudo está sob controle. Quanta mentira juntas. Ao deixar o reitorado João Grandino Rodas deixou uma ótima herança financeira; administrativa e cultural, de repente ao entrar outro Reitor, tudo em crise. Que palhaçada é essa? O José Serra estava certo. Tem mais é que passar tudo para a administração direta e projetar uma PPP para tomar conta só da área administrativa que está uma vergonha. Tenho dito, abraços grande Alberto Goldman.

  • ETHEL NAOMI 16 novembro, 2014   Reply →

    A direita toma conta das ruas, os bens intencionados não percebem estão nesta massa. E o PSDB tem que se se identificar e pronunciar nas RUAS.

  • Alfredo 16 novembro, 2014   Reply →

    Goldman,

    quando você diz “…principalmente seu antecessor, o dr. Luis Inácio, …” está afirmando que torneiro mecânico é profissão equivalente ou decorrente de curso de doutorado ? ou é uma manifestação [sua] de reverência [indevida !! ] ao fulano que certamente nem chegou a exercer essa profissão ? ou, por outro lado, é ironia com o mesmo elemento ?

  • Alfredo 16 novembro, 2014   Reply →

    Goldman,

    tenho certeza de que você leu o Estado de São Paulo de hoje, 16/11/2014. E, é claro, não deixou de ler o editorial, página A03, com o título “Crime de responsabilidade”.

    Tenho também, certeza de que você, vice-presidente o PSDB, conhece muito bem o teor da matéria e, mais ainda, tem ciência das providências que obrigatoriamente deveriam ser adotadas por quem, exercendo a representação política, toma conhecimento dos fatos com o teor do mesmo Editorial.

    Com isso em vista, entendo que considerar (ou entender) como atitude golpista, intervencionista, não democratica a adoçao das medidas visando a abertura de processo de apuração das responsabilidades legais dos que estão comprovadamente envolvidos nas práticas descritas não passa de COVARDIA. Quem assim se omite não pode se dizer envergonhado com a corrupção porque com ela concorda ou contribui para acobertá-la.

    Os que, sob qualquer pretexto, deixam de pelo menos adotar os procedimentos mínimos contra descalabros como os apontados pelo jornal não podem se dizer oposição. Também não podem se auto-entitular democratas porque no mínimo aceitam ver a democracia atacada de forma tão vil.

    Sempre fui eleitor do PSDB e gostaria muito de continuar sendo, mas me envergonha ver o partido se deixar rebaixar ao ponto em que vemos quando se põe contra o pedido de impeachment que nada mais é do que o devido processo de apuração das responsabilidades que ai estão saltando às vistas de todos.

    Seria isso por conveniência política ?

    • Alberto Goldman 19 novembro, 2014   Reply →

      Alfredo, quando todos os elementos probatórios estiverem configurando crime de responsabilidade o impechment pode ser pedido. Mas ainda faltará a avaliação política sobre o desejo da sociedade. Se ela estiver disposta a realizá-lo, deve ser levado adiante.

  • Edison 18 novembro, 2014   Reply →

    Acho que todos os brasileiros merecem este grande presente de natal ( o descarte do PT do comando da Nação), inclusive os que votaram na presidentA.

    E depois, é só aguardar uma nova quadrilha tomar-lhe o cargo. Mas isto será outra estória…

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