O Golpe.  Se milhões de brasileiros vão sofrer, que se danem.

 

Há muito tempo em já dizia: a era do PT acabou.  Demora mais, demora menos, acabou.  Mas vai cair atirando.

É o que está fazendo, como se previa.  O grito de guerra, “é golpe”, tem divulgação, por ironia, inclusive na mídia que acusam de golpista, sempre disposta a noticiar as manifestações de alguns notáveis em geral beneficiados pelo governo que foi afastado, ainda que a sociedade e as instituições que o estado de direito reconhece (tribunais e poder legislativo) tenham dado respaldo ao impeachment.

O fato real é que o PT e seus aliados mais radicais não reconhecem a existência do estado de direito democrático.  Só o aceitam – e o usam – quando as decisões lhes beneficiam.

A reação não vem só de dentro, ela também vem de fora, dos aliados externos que o PT agregou em face dos interesses que atendeu.  Afinal mais de 13 anos de implantação de um regime que usou a Democracia para construir um reinado em que sua palavra era a lei não se apaga em um sopro.

A Venezuela protesta.  Justo quem.  Um governo ditatorial, que acaba de ser derrotado nas urnas, mantendo o poder às custas da corrupção de setores dominantes da sociedade, pela ação de milícias armadas e pelo controle, inclusive, do poder judiciário.  Nos seus estertores ameaça com o fechamento do Congresso. Também está no fim pois o país já quebrou e, mais cedo ou mais tarde, os ditadores serão expelidos.  Mais que maduros, estão podres.

Ao seu lado, além de outros, Cuba.  A Cuba que visitei em 1980, quando deputado federal, com outros parlamentares – Audalio Dantas, Roberto Freire, Fernando Moraes, dentre outros –  que decidiram romper o bloqueio a que o pequeno país estava submetido, mesmo tendo os  passaportes carimbados como não válidos para Cuba e os países socialistas.  Lá verifiquei importantes sucessos na área social, como na educação e na saúde, ao mesmo tempo em que me choquei com a falta de Democracia em um país em que a Assembleia Nacional se reúne uma vez ao ano e os deputados eleitos pelo sistema distrital só podem ser apresentados pelo partido único, o partido comunista.  Hoje o mesmo país, que no quesito Democracia avançou muito pouco, tem a coragem de gritar contra o “golpe” que estaria sendo dado pelas elites no Brasil.

Não houve golpe.  O PT foi afastado do poder pelo conjunto da obra desastrosa que produziu nos seus 13 anos de mando.  E a demanda foi da maior parte da sociedade brasileira a quem o Congresso se curvou.

Golpe mesmo vem sendo dado há anos pelo PT nas nossas instituições, ao tomar de assalto as empresas estatais, as agências reguladoras, os fundos de pensão, as representações sindicais de toda ordem, os movimentos populares, tudo a serviço da manutenção do poder a qualquer custo.  Em torno dele e de sua preservação todas as negociatas possíveis e imagináveis foram realizadas.  Foi o maior golpe jamais realizado em toda a história brasileira, sustentado pelo grande empresariado, por parte da intelectualidade e pelos partidos políticos conservadores que participaram da aliança petista.

Por ironia, em geral, os mesmos que agora, de fato, o golpeiam.

O novo governo que assumiu se verá às voltas com uma herança grave e perversa e terá de manter o seu compromisso de evitar qualquer retrocesso, seja nos pequenos avanços sociais obtidos, seja nas instituições democráticas que foram construídas a partir da Constituição de 88, ao mesmo tempo que tenta reconstruir um clima em que se possa almejar a retomada do desenvolvimento econômico.

O mais recente documento da direção do PT analisa o quadro atual e conclui que o maior erro cometido foi não ter feito as reformas que deveriam ser feitas na Polícia Federal e no Ministério Público.  É verdade sob o ponto de vista petista.  Para ele faltou “reformar” essas instituições, pois as outras foram cooptadas.  É a plena demonstração da inexistência de qualquer compromisso com a Democracia.

Hoje o PT paga por seus crimes.  E ainda está pagando pouco, muita coisa virá à tona e pouco sobrará do outrora partido que faria uma revolução moral e uma revolução social.

Vai continuar gritando contra o “golpe” e vai sabotar o novo governo.  É o seu DNA.  O país que se dane.  Se milhões vão sofrer, que se danem.  Quem mandou que eles saíssem às ruas exigindo a saída da presidente e de seu partido?

O PT sempre foi assim e não mudou.

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