O Fe.be.a.pa tem feito sucesso

O Fe.be.a.pa, Festival de Besteiras que Assola o País, é uma criação do escritor e jornalista brasileiro de pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, falecido em 1968.  Era um crítico agudo e mordaz, e expunha em suas crônicas as bobagens que diziam no dia a dia, em especial, figuras políticas ou pessoas muito conhecidas do público. 

Uma de suas frases, “difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante” mostra bem sua pena ferina.

A meu ver a burrice extravasante incomoda muito mais.  As explosões diárias dessa manifestação são algo recorrente, veem desde sempre, e se repetem em especial quando o país passa por crises que, aliás, não faltam em nosso país.  Nos dias atuais aparecem aos montes. 

Nesta semana o fe.be.a.pa se manifestou nas opiniões sobre a Emenda Constitucional aprovada pelo Congresso Nacional que estabeleceu uma limitação para os gastos públicos da União em função de suas receitas.  

Compreensivo que a oposição – até bem pouco tempo o grupo que no governo destruiu a nossa economia e maculou a nossa vida política, com consequências que vão durar muitos anos – critique a medida como se nada tivesse com os fatos que levaram a que ela fosse imprescindível.  Para alguns é pura desonestidade intelectual, como se a sua desonestidade intelectual durante os quase 14 anos de governo não tivesse sido suficiente.  Para outros agregue-se a corrupção que foi seu instrumento de manutenção do poder.

Mas a desonestidade intelectual não seria suficiente para levantar tanta celeuma, se restringiria a alguns Linderberghs e algumas Gleisis, hipócritas sem quaisquer escrúpulos.  O problema é a burrice, ou melhor, a ignorância que se espalha sobre o país.  Ou se quiserem, de forma mais branda, a “falta de conhecimento, falta de informação”.

O que diz a Emenda Constitucional aprovada, que alguns bobalhões e alguns desonestos chamam de PEC do fim do mundo?  Diz que o orçamento do país a ser votado pelo Congresso Nacional, a partir de proposta do Executivo, terá como gasto total a ser destinado a todas as áreas de responsabilidade do poder público a receita do ano anterior acrescida da inflação, isto é, mantida a receita e a despesa em seus valores reais.  Se a receita que será colhida for inferior ao previsto ( caso de queda do produto bruto ), ainda assim o gasto poderá ser superior a essa receita, podendo levar o governo a buscar mais empréstimos e aumentar o seu endividamento.  Se, pelo contrário, a receita a ser colhida for superior ao previsto (caso de aumento do produto bruto), o diferencial poderá ser destinado ao pagamento de parte dos juros anuais da dívida, como foi, por muitos anos, o resultado da execução do orçamento nacional.  

A Emenda Constitucional apenas faz o que é do senso comum: só podemos gastar o que recebemos, a não ser que pudéssemos, indefinidamente aumentar as nossas dívidas.  Como não é mais possível fazer o que se fez nos últimos anos, com consequências desastrosas sobre o crescimento econômico, o emprego e a inflação, a limitação dos gastos é o único caminho que vai obrigar a cortar aquilo que não é essencial e administrar o dinheiro público com eficiência, acabando com o que alguns chamam de “conquistas” mas que não passam de privilégios odiosos às custas das dificuldades por que passam milhões de brasileiros.   Vale dizer, a sociedade, o Congresso e o Executivo vão ter de discutir as verdadeiras prioridades da sociedade.  O orçamento nacional deixará de ser uma farsa.

Acabou a farra.  Ela começou na Constituinte, seguiu nos governos Collor, Itamar e Fernando Henrique e se maximizou nos períodos Lula e Dilma, até que o balão explodiu.  Na época tudo parecia possível, bastava aumentar as nossas dívidas como se elas fosses elásticas, sem limites, sem consequências.  

Agora vai predominar a responsabilidade do Congresso e do Executivo.

Ou havia outro caminho?  Não há.  Chutes aqui ou ali, opiniões sem qualquer consistência, não apresentam qualquer saída concreta, objetiva e realista. 

Mas o Fe.be.a.pa tem feito sucesso.

PS: juizes e promotores também fazem um fe.be.a.pa pra ninguém botar defeito

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2 comments

  • Luiz Loureiro 16 dezembro, 2016   Reply →

    Esses Linderberghs e Gleisis (acrescento as Grazziottins), não são burros, o que aumenta em muito sua desfaçatez e o mal que praticam ao ficarem mentindo e tergiversando. Eles sabem muito bem o que fazem. São estelionatários intelectuais.

  • Claudio Goldman 16 dezembro, 2016   Reply →

    Defender medidas responsáveis sempre tem custo político… Ser contra votar no Tancredo, ser contra o Plano Real, ser contra qualquer reforma do Estado, posar de defensores do povo enquanto mantém privilégios, é sempre muito mais fácil…

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