O Brasil, com Lula, merece um “Oscar” (Parte 1)

Lula é uma figura fascinante.  Na sua entrevista ao Roberto D’Ávila no Globo News, em algumas passagens me veio a imagem do ator inglês “Sir” Laurence Olivier no filme “Hamlet” com o qual foi premiado com o “Oscar” de melhor ator e melhor filme.  Lula é um ator de primeira.  Teve um desempenho digno de um “Oscar”.  Vai aqui um link da entrevista:

https://youtu.be/uS1BFelmwOA

Inteligente, vivo, esperto e com uma característica de caráter que o fez vencer na vida: não tem compromisso com a verdade.  O que lhe interessa são os resultados.  O presente não precisa ter consonância com o passado, muito menos com o futuro.  É capaz de afirmativas corretas e cativantes que servem para dar um ar de veracidade às narrativas mais falsas para justificar suas opiniões e ações.

Lula diz que a democracia é “uma coisa interessante” e que fora da política não existe saída.  Excelente.  Correto.  Falou em tolerância e que ouvia  empresários, políticos, a “todos” enfim.  É verdade.  Mas inquirido pelo entrevistador sobre a sua declaração de possível mobilização nas ruas do “exército do Stédile” para defender a Dilma, contrariando a saída política e a tolerância, se fez de surdo.

Lula afirma que nunca no Brasil se teve em 12 anos um crescimento igual ao período petista.  É falso. O país cresceu, durante o período militar do “milagre econômico” ( 1968 a 1973 )a taxas médias de 10% ao ano e no período subsequente a taxas médias de 7,0% a.a. até 1980. Durante o governo Lula e o primeiro mandato de Dilma cresceu 3,4% ao ano, em média, e se computarmos as previsões de 2015 e 2016 – quedas no PIB de 3% e 2% respectivamente – a média passa a 2,5% ao ano nesses 14 anos de petismo ( se Dilma cumprir 2016 ).  No período FHC a média dos 8 anos foi de 2,4% ao ano.  Leve-se em conta que durante os anos Lula e parte de Dilma houve um “boom” na economia internacional, em especial nas transações com as “commodities” onde o Brasil é muito forte.  Vale dizer que mesmo nas condições excepcionais da economia mundial, Lula não fez tão bonito quanto alardeia.  Quanto aos aumentos do salário mínimo que proclama nada fez mais que continuar a política do governo anterior que, desde 1995  concede índices de aumento maiores que a inflação, sendo que em seu período de 8 anos o aumento foi semelhante aos 8 anos anteriores.

Lula também afirma que estamos no pior momento do mundo emergente e credita à crise internacional as nossas dificuldades ( aí, com uma pitada de honestidade, faz a ressalva de que também se deve às nossas escolhas equivocadas).  Mas o fato real é que dentre o mundo emergente, dentre os países subdesenvolvidos e dentre os países da América Latina, além do mundo em geral, o Brasil se situa atualmente entre os de menor índice de crescimento do PIB.  Justifica esse desastre dizendo que Dilma procurou dar subsídios para manter o crescimento e o emprego e só depois ela começou a perceber o que se passava.  Ora, ignorante é o que ela não é pois avisou que iria fazer “o diabo” para vencer as eleições.

De forma cínica Lula diz o que se quer ouvir, isto é, que a responsabilidade fiscal é obrigação, não se deve gastar mais do que se arrecada.  Em seguida, que é preciso mais investimentos públicos para retomar o crescimento, sabendo que com a recessão brutal pela qual passamos há queda de arrecadação, o que inviabiliza investimentos públicos.

Lula com Roberto D’Ávilla: atuação digna de Oscar

Amanhã continuarei comentando a entrevista.

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3 comments

  • Leopoldo Mosqueira Gomes 26 novembro, 2015   Reply →

    É difícil saber se é a mídia que se aproveita do Lula ou se é o Lula que se aproveita dos agentes da mídia que não fazem contraponto as suas respostas propositadamente incoerentes transbordadas de um cérebro que declara nada saber até dos que os cercam diretamente.

  • Alberto Figueiredo 26 novembro, 2015   Reply →

    Você abre o texto com felicidade ao comentar a falta de compromisso do Lula com a verdade, que não se preocupa em conectar o dito ontem ao de hoje ou, com o de amanhã, pois são apenas utilidades ao objetivo do momento. Isso vem de longe, da época das negociações sindicais, onde cada dia era um recomeço infindável, olvidado o acertado na véspera. Quando o entrevistador observa o despreparo da Dilma para o encargo assumido, tangencia afirmando que ninguém tem maior compromisso que ela com o país. Mera tergiversação, no que o Maluf era melhor. No mais, as afirmações despropositadas contam com a proverbial ignorância da maioria sobre dados ou evitando enfrenta-lo com desmentidos, já que somos um povo cordial, segundo Sergio Buarque de Holanda. Assim, de embuste em embuste, seguimos sem pudor para o buraco, destruindo em 3 anos o que levamos 20 para construir. E o futuro do país fica para a geração seguinte, talvez inalcançável como na história da cenoura.

  • cresceu o numero de gatunos, cresceu a falta de vergonha na cara, cresceu a inflação, cresceu a falta de educação, cresceu a falta de segurança, cresceu a falta de comida no prato, cresceu o medo nas pessoas em sair de casa, cresce numero de petistas abandonando seu partido e etc etc etc. Ah! Cresceu o patrimônio de toda sua família e cresceu a falta de vergonha na sua cara.
    Vai quadrilheiro

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