Marina, uma profissional esperta.  E a recessão chegou pra valer.  

 

Vou me desviar um pouco do meu esporte favorito que é comentar a Presidente Dilma Rousseff e seu governo medíocre e falar um pouco da nova pretendente ao cargo, Marina Silva.  Nova em termos, já que já foi Senador da República, Ministro do governo Lula e também pretendente à Presidente nas eleições de 2010.

Marina quer renovar a política – uma “nova forma de fazer política” ela diz, pô-la a serviço do cidadão.  O invólucro é bom, mas qual é o recheio?   Só platitudes, banalidades, trivialidades.  Nada de concreto.

Na entrevista ao JN foi obrigada a falar sobre o avião que o PSB recebeu, emprestado, ou arrendado, ou sabe-se lá o quê, adquirido por amigos proprietários com dinheiro transferido por laranjas.  Ela não sabia de nada, usou o aparelho sem perguntar.  Podia ter perguntado quem emprestou e por que, já que quem empresta sempre espera alguma coisa em troca.  Até aí, ainda vá lá.  Mas uma nova forma de fazer política deveria se preocupar com isso.

Sabendo, agora, que o jatinho foi adquirido com aporte de dinheiro de laranjas, e percebendo que é dinheiro “sujo”, certamente produto de propinas pagas por pessoas com interesses em contratos de governo, não deveria imediatamente exigir do seu partido uma explicação definitiva?  Não seria esse um princípio de uma “nova política”?   O seu vice, deputado federal Beto Albuquerque, disse que o partido não tinha nada com isso.  Então quem?  Aliás, ele é, por acaso, o símbolo da nova política? Ela teve que, como na velha política, se submeter ao partido?

Vamos adiante.  Ontem na Fenasucro, em reunião com os usineiros, Marina, que nunca morreu de amores por eles, e os tinha como verdadeiros predadores da natureza, admite que o setor procurou se ajustar para produzir com sustentabilidade, com mecanização da colheita de cana para evitar “mão de obra de penúria”.  E diz que é possível falar de agricultura e pecuária com a preservação do meio ambiente.  Mais uma platitude.  Promete um “marco regulatório”. O que quer dizer isso?

Essa é a nova política? Existe algo mais velho que esse discurso para agradar plateias específicas em períodos eleitorais?  Marina não é amadora, é profissional, e esperta.  Não tem nada de novo.

Ela fala sem consistência: “ o Brasil terá de escolher e apostar no sonho de que possamos ter um Estado eficiente, escolhendo os melhores e não os indicados por interesses partidários”.  Só isso?   Escolher os melhores é, sem dúvida, uma obrigação do dirigente público.  Mas para fazer o quê?  Como fazer o Estado eficiente?  É preciso dizer.

Agora a recessão, sem vírgula.

Eu não poderia deixar de falar do Mântega.  Já o respeitei mesmo quando fazia avaliações do futuro no estilo de Polyana, personagem de uma escritora americana.  Polyana queria uma boneca mas ganhou um par de muletas, que não precisava.   O pai lhe ensinou assim que deveria ficar contente por não precisar usar as muletas.  E a menina ficou contente, e essa atitude passou a se chamar de “jogo do contente”.   Agora a nossa Polyana, Guido Mântega, fica contente com os índices de nossa economia que ele dirige por tanto tempo ( talvez o mais longevo dos Ministros da Economia ).  Com índices baixos de desemprego, segundo ele, tudo vai bem.

Mas pra azar da nossa Polyana, acaba de sair a informação do IBGE sobre o PIB do 2% semestre: menos 0,6%.  Como o do primeiro semestre, depois da revisão, é de menos 0,2% temos o que se chama de recessão técnica.

O Brasil parou.  Parou não.  Recua.  Como temos crescimento vegetativo da população, o PIB per capita tem uma queda expressiva.  Dilma já se sabe.  Acabou.  E Marina vai propor o quê?  Os próximos capítulos prometem.

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9 comments

  • Markut 29 agosto, 2014   Reply →

    Penso que “Dilma já acabou”, embora desejável, é ainda cedo.
    Admitir que a corja lulopetista vá entregar a rapadura, sem espernear é muito otimismo, pouco recomendável , nestas circunstâncias.
    Proponho continuar insistindo em derrubar o mito, sem contar com favas contadas, com tanta facilidade.

  • Natan Galkowicz 29 agosto, 2014   Reply →

    Muito bem ….. aprecio suas criticas , mas o que parece se ao invez de criticar e criticar , nao proponha o que poderiam ser possiveis ALTERNATIVAS ?

    Algo construtivo e que ajude ao leitor , pensar em novas direcoes .
    Isso e’ o que precisamos …. uma luz no final do tunel , se e’ que
    este tunel tem fim .

    • Alberto Goldman 29 agosto, 2014   Reply →

      Natan, acompanhe as campanhas, os debates, leia o programa, etc. É só você querer.

  • Hamilton Garcia 29 agosto, 2014   Reply →

    Talvez Goldman, se ela for eleita, precise de pessoas como vc. na sua base de apoio: não seria esse um sinal da “nova política”? E vc., como responderia? Recusaria, à moda da velha política, por ela ter negado o apoio ao PSDB em SP, ou aceitaria em nome de um programa reformista p/ o Brasil, com o risco dele ser capitalizado pelo partido dela mais do que pelo seu?

    • Alberto Goldman 29 agosto, 2014   Reply →

      Hamilton, ela não tem programa, nem partido, não tem time. Acha que tem o dom divino para unir Lula e FHC, Serra e Suplicy. São concepções de sociedade e de democracia distintos. Um dia vai explodir. Pode ser antes das eleições, ou depois. Se depois o país vai sofrer muito.

  • Malu Gualberto 29 agosto, 2014   Reply →

    GRANDE Goldman! A oposição que acorde e ao invés de atacar a Marina, trabalhe para liquidar a Dilma no 1o.turno.
    Não adianta atacar a Marina agora!
    O adversário é o PT….

    • Alberto Goldman 30 agosto, 2014   Reply →

      Malu, o governo do PT já acabou, como tenho escrito há tempo. Mas, para o Brasil, Marina pode nos levar à crises políticas que não desejamos. Aécio é melhor, maior garantia de um governo equilibrado, consciente. Vamos continuar lutando para chegar ao 2º turno. Se não der, vamos escolher o mal menor.

  • Cecília 30 agosto, 2014   Reply →

    Perfeito seu artigo. Acho que o PSDB tem que tirar a Marina do conforto dos discursos vazios e fazer, sem agressões e sem que ela se vitimize, ela explicar nos debates, o que de concreto significa o que ela tá falando e como vai fazer isso. É mudando de opinião para ganhar de eleitores. Tem que mostrar que ela se apossou do programa de gov do PSDB e até do slogan ‘Vamos conversar” do Aécio. Lembrar a ela que FHC fez a transição mais democrática que opaís já viu e que, com a ajuda do partido dela, O PSB e com as próprias posturas, foi criada essa guerra entre governo e oposição. Mas que quem não tem oposição é ditador e que divergências faem parte do processo, seja na relação entre irmãos, casamento, no trabalho… É da vida. Ela que exagera no ponto de vista. Ela msm pregou o ódio contra o agronegócio e os usineiros e agora quer conversar. Prega o ódio contra os partidos e quer conversar e formar alianças. Saber dela como identificar os bons, os melhores… Tem que cobrar da Marina! Eu acredito que Aéciop, pode sim, chegar lá.

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