Marina e a velha política. Dilma não perde por esperar

 

Durante o último debate da Globo Marina, como resposta à acusação de Aécio de que ela ficara no PT durante o processo do mensalão e nunca houvera se manifestado sobre ele, disse que também Aécio ficara no PSDB, que fora quem começou o mensalão, que teria sido a compra da reeleição que manteve FHC , através da vontade popular, mais quatro anos na presidência

É uma estupidez inominável fazer uma correlação entre o episódio do mensalão e a votação da emenda constitucional que permitiu a reeleição.  A emenda constitucional que aprovou a possibilidade da reeleição do presidente, governadores e prefeitos, foi aprovada por ampla maioria na Câmara e no Senado.  Mesmo na sociedade havia um amplo consenso sobre a permissão aos chefes dos executivos se colocarem diante do eleitorado para obter um  novo mandato.

Na maioria dos países que adotam o sistema presidencialista ( são poucos diante da maioria que adota o sistema parlamentarista ), a reeleição é permitida.  A nossa experiência mostra que, se mantida a reeleição ( Lula e Dilma não procuraram extingui-la ), ela deve ter instrumentos concretos que impeçam ao titular do cargo usá-lo em seu benefício como acontece no Brasil.  Lula chegou a ridicularizar as multas que lhe foram impostas.  E Dilma vai na mesma toada.  Faz comícios, passeatas e reuniões eleitorais durante o horário de expediente. Não está nem aí.  Para eles a lei deve ser cumprida só quando lhes favorece.  Falam de democracia mas a alma é autoritária.

Uma das medidas para minorar os efeitos maléficos da reeleição poderia ser a renúncia ao mandato após o início do processo eleitoral do executivo pretendente.

Na época da aprovação da emenda constitucional especulou-se sobre a ação ilegítima de um ou dois governadores que teriam “comprado” deputados para votar a favor da emenda.  Ainda que fosse verdade – nunca comprovada – a ampla maioria do Congresso e o apoio da população – que inclusive reelegeu a maioria dos pretendentes – comprovam que o fato nada teve de escandaloso.

Querer, como quis Marina, compará-lo com o mensalão que foi a estruturação de uma operação de compra, com dinheiro público, de apoios de partidos e parlamentares para a concretização de uma maioria parlamentar e em seguida compor uma coligação majoritária para a disputa das eleições que viriam, é desonesto.  Típico argumento petista.  As denúncias sobre a aprovação da emenda da reeleição não passaram de especulações que nunca chegaram, sequer, aos tribunais. O mensalão foi desvendado e teve a sua conclusão na condenação e prisão dos criminosos.

Estabelecer essa comparação mostra uma Marina desesperada disposta a usar quaisquer meios, éticos ou não, corretos ou não, verdadeiros ou não,  para evitar ficar fora da disputa para o segundo turno.

Quando o calo aperta ela faz uso da velha política, sem escrúpulos.  Servem até os métodos petistas que ela diz abominar.

Quanto à Dilma, vamos ter bastante tempo à frente para debulhá-la.  Não perde por esperar.

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3 comments

  • JCM 4 outubro, 2014   Reply →

    Caro Governador!
    O PT fala tanto sobre reeleição,mas por que não a extinguiram?Aliás, a reeleição não favoreceu o Lula,e não poderá favorecer a Dilma(toc,toc,toc…)?Estas são respostas que deviriam
    estar na ponta da língua nos debates.Outra que me deixa irritado,é a que o FHC quebrou o país três vezes,não! Itamar/FHC herdaram quebrado,dos hoje petistas, Sarney e Collor!

  • Markut 4 outubro, 2014   Reply →

    Gostaria de escolher o que mais se aproximasse do verdadeiro Estadista , com E maiúsculo, que é o que o país precisaria.
    Não sendo o caso, com nenhum dos três, resta o menos pior , que seria evitar a continuidade do lulo petismo.
    E aí , o páreo entre Aécio e Marina é o que sobra. Razão tem FHC, sugerindo
    o conluio Aécio-Marina, a fim de permitir que a Dilma vá para casa , cuidar do netinho.
    Nestas circunstâncias isso seria “la crème de la crème”

  • Luis Conrado Martins 6 outubro, 2014   Reply →

    No segundo turno, seria interessante lembrar sobre o investimento de cerca de US$ 1 bilhão na construção do terminal portuário de Mariel, em Cuba e das diversas cláusulas sigilosas que protegem esse contrato. Se foi tão bom para o Brasil, porque tanto sigilo? Já que precisamos tanto de infra-estrutura, porque financiar a construção de portos no exterior, em detrimento do país?
    Seria bom lembrar também que o Brasil nunca esteve numa situação tão ruim do ponto de vista de comércio exterior, em que não existe política consistente que incentive as empresas brasileiras a exportar.

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