Marina, a nova e a velha política

 

Transparência?  É a velha política

Marina tem dito que é preciso ter transparência nas ações de governo.  É a nova política. O pressuposto é que a transparência comece com o próprio candidato, a pessoa física.  Mas não é o que ela pratica.  Ao revelar sua renda, à pedido da Folha – 1,6 milhões de reais em palestras nos últimos 3 anos – Marina se recusa em identificar os seus clientes, sob argumento de confidencialidade.  Se Marina não fosse um agente público, candidata a vice presidente e agora a presidente, presidente de um partido em formação, prestes a ser registrado logo após as eleições, seria legítimo não expor algo que pertence à sua vida privada.  No caso, candidata a presidente, não declarar quem a contrata, não se justifica.  Ela tem de expor as suas fontes de renda pois elas indicam as relações que mantém com agentes econômicos e entidades da sociedade, sem que isso signifique qualquer prévio juízo de valor.  Mas sua negativa, sob o manto da confidencialidade, não é aceitável.  É a velha política.

Erros de revisão, coisa nenhuma. É a velha política

A explicação para a publicação de uma errata sobre o programa de Marina divulgado um dia antes é uma agressão à nossa inteligência.  É claro que ao ser alertada e pressionada por grupos conservadores que a apoiam, Marina mudou seu programa de governo.

Dentre as mudanças está aquela que eliminou o apoio às propostas em defesa do casamento civil igualitário a serem inseridas no Código Civil e na Constituição, para apenas garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo, o que é desnecessário, pois já foi assegurado pelo STF.  Outra mudança é a exclusão do programa do tópico que apoiaria a equiparação da discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero àquelas que na lei definem a descriminação em razão de cor, etnia, nacionalidade e religião.   Também na nova redação foi excluída a previsão de distribuição de material didático destinado a  conscientizar sobre a diversidade de orientação sexual e às novas formas de família.   Tudo isso sem maiores explicações.

Não houve erros de revisão.  Houve, sim, o esclarecimento sobre a posição da candidata e, mais ainda, uma clara submissão aos grupos que a apoiam, na linha da velha política.

As incoerências e expectativas falsas

Marina sabe que não basta ganhar a eleição.  É preciso governar, e bem, respondendo às expectativas do povo.   Janio Quadros se elegeu e não pode governar.  Deu um lance arriscado e se saiu mal.  Como resultado, após 4 anos conturbados, o golpe em 1964, uma ditadura de duas décadas.  Collor de Mello, sem respaldo congressual e em um quadro de crise econômica, foi deposto constitucionalmente pelo Congresso Nacional.  Lula tentou obter uma maioria através do mensalão.  E Dilma, mesmo com uma maioria ampla deu no que deu, ou está dando.  Marina acena para Lula e Fernando Henrique.  Não vai dar.  Se for eleita, vai ter de escolher.  Além do que ela não perguntou ainda a nenhum deles e aos seus respectivos partidos políticos.  Também quer juntar Serra e Suplicy.  O que um tem a ver com o outro?

Porque Marina não usou dessa percepção quando Serra e Dilma foram para o segundo turno em 2010.  Ficou no muro.  Porque para ela, em sua visão messiânica, só ela sabe o que se deve fazer.  Se for eleita vai dar com os burros n’água.  Espero que não seja.  Nos próximos 35 dias dá para o povo acordar.

 

 

 

 

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3 comments

  • Markut 31 agosto, 2014   Reply →

    Fato é que essa pureza virginal, que tem um certo sabor totalitário, não corresponde às necessidades da nossa sociedade.
    A todos aqueles que almejam a derrota do PT, resta a esperança de que , ao menos , a candidatura dessa senhora, se preste a “roubar” votos da Dilma, o que seria um alívio de bom tamanho.
    Um primeiro turno Marina- Aécio, se acontecer, será de um suspense eletrizante.

  • Markut 31 agosto, 2014   Reply →

    Desculpem : onde se lê primeiro turno, corrija-se para 2º turno.

  • Antonio Carlos Rocha da Silva 1 setembro, 2014   Reply →

    Santa do Cipó não faz milagres e está indecisa entre proteger heteros ou gays, agricultores ou saúvas, piranhas ou pescadores. Na realidade é hipócrita como Lula de quem demonstra ser boa aluna, com discursos preparados para agradar a plateia para a qual está falando naquele instante. Isso faz parte da política antediluviana dos vigaristas que vendem o que a vítima quer, mas não entregam. E Nova Política é tão velha como isso. Já foi chamariz usado no início do século passado por Stálin para inaugurar uma de suas políticas econômicas e por Getúlio, como título de livro de propaganda de seu regime autoritário.
    Antônio Carlos Rocha da Silva

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