Já somos vitoriosos. O país não será mais o mesmo.

 

Independentemente do resultado das urnas, somos vitoriosos.  Havia muito tempo que não se via mobilização popular tão intensa, voluntária e espontânea, às vésperas de uma eleição, seja nas ruas, seja na mídia eletrônica.  Pessoas que há tempo – ou nunca – se sensibilizaram com uma eleição, acordaram.   As discussões se aguçaram, e radicalizaram até, numa polarização entre o PT e a oposição.

Pela primeira vez não são petistas que ocupam as ruas.  De um lado é o cansaço com tantos desmandos do partido do governo e com a sua agressividade que carimba a todos que não lhe são dóceis como a elite branca que quer a exploração do povo pobre; de outro lado é o vigor da democracia, posta à prova nesse momento.

Depois dessa eleição, o país não será mais o mesmo.

As acusações feitas por Dilma e o PT ao candidato Aécio  Neves são graves.  Não se trata das acusações sobre temas políticos sobre os quais Aécio tem de responder politicamente – são acusações pessoais, explícitas ou trabalhadas sub-repticiamente, abertas ou anônimas, que mostram o verdadeiro caráter de um partido que um dia desejou  o poder para construir uma sociedade mais justa e igualitária, mas que se transformou em um monstro que assaltou o governo para manter, tão somente, o poder pessoal e do partido, sem quaisquer escrúpulos e sem qualquer conexão com os seus antigos generosos projetos de sociedade.  Triste repetição de situações históricas de outros países, que amarguraram, em todo mundo, milhões de lutadores por uma vida melhor.

Vi hoje o chão forrado de panfletos colados dizendo “Aécio cheira – violência contra a mulher” ou “Aécio cheira – desemprego”.  Panfletos, jornais, cartazes em postes, inscrições em paredes, tudo com ofensas pessoais. Há, além disso, uma campanha de terror para que o cidadão pense que poderá perder benefícios que já fazem parte de sua vida como o bolsa família, a inscrição para a casa própria, o FIES, a chance no ProUni, a matrícula no Pronatec, a vaga nas creches, o próprio salário mínimo e uma infinidade de outros.

Nada disso tem tido o efeito que o PT imaginava.  A população começa a perceber o seu jogo perverso e começa a superar a letargia.  Isso já é o bastante para nos entusiasmar e afirmarmos que o petismo está em seus estertores.  Ainda que, como hoje, morra atirando.

Melhor, para o Brasil, que seja afastado do poder, já.

 

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5 comments

  • Marly Gouveia 25 outubro, 2014   Reply →

    Agora sabemos que somos muitos que estamos unidos e decididos a mudar este país. Sabemos quantos somos, pelos votos depositados nas urnas no primeiro turno, contrários à Dilma. Agora somos uma força política contrária ao PT e suas práticas. Seja qual for o resultado desta eleição não vamos nos dispersar. Vamos nos manter juntos e ativos e contamos com as nossas lideranças, como o senhor, para manter a nossa coesão.

  • Eliane Sevi 26 outubro, 2014   Reply →

    Oxalà !!!!!

  • Markut 26 outubro, 2014   Reply →

    Em pouca horas mais, teremos a definição dos resultados. Quem quer que vença, será possível então fazer uma leitura menos apaixonada do que nos espera.
    Será que a radicalização do vermelho e do azul é bom , ou mau sinal?
    É um avanço na democratização, ou o longo caminho de um estúpido bolivarianismo?

  • Silvio Cavalli 27 outubro, 2014   Reply →

    Excelente e muito oportuno o texto acima! Ao comparar o PT a um monstro que luta para conseguir o poder pelo poder,ele assemelha-se a uma planta parasitária que se fixa numa árvore hospedeira, a Democracia, e dela suga as energias de sua seiva para sobreviver. Quando alguém, ou algo, a ele se interpõe, logo invoca que tal obstáculo constitui grave ameaça à hospedeira. Porém, enquanto se abriga à sua sombra, vai lançando com seus tentáculos, de maneira incessante e cada vez mais profundamente, os venenos do arbítrio, do autoritarismo e da corrupção, os quais acabarão por debilitá-la e causar a queda de sua protetora.

  • Affonso Henriques Fernandes 27 outubro, 2014   Reply →

    O país está dividido. Um contingente expressivo votou pela mudança por mais que o PT teime em não admitir, é uma realidade concreta e marcante.

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