Fim do pesadelo.  Vamos manter a nossa capacidade de crítica.

 

O que era um sonho – a construção de uma sociedade socialista, sendo o PT o instrumento político para realiza-lo e as eleições o processo de transição –  transformou-se em pesadelo cujo final estamos assistindo.

O grande drama do PT é que a democracia, para os seus dirigentes e parte dos militantes, sempre foi vista apenas como algo instrumental.  A ideia da democracia como valor universal, que supera a própria ordem econômica, nunca foi por eles incorporada, nem como afirmação ideológica, muito menos na ação concreta, principalmente no exercício do poder de Estado.

Mesmo as ações práticas em benefício dos mais pobres não se enquadravam em um processo de aperfeiçoamento institucional democrático.  Eram um instrumento com objetivo puramente eleitoral, a manutenção do poder, não uma ação como parte de transformações estruturais que levassem à construção de uma sociedade mais justa e igualitária, muito menos à construção de uma sociedade socialista.

Outras ações de governo, como os benefícios a alguns setores econômicos ou a parcelas da população para aumentar a sua capacidade de consumo e melhorar a sua vida, também não foram instrumentos que objetivavam um crescimento sustentável e chegar a um nível de vida que não fosse passageiro.

Com o impeachment da presidente Dilma não chegamos a nenhum paraíso.  Pelo contrário sabemos das imensas dificuldades que nos esperam em face da terrível herança que o PT deixa à Nação.  O impeachment por si só não é solução, não é suficiente para superarmos a crise em que vivemos, mas é o que era possível e inevitável fazer.

O governo do PT, seja ele de Lula ou de Dilma, não fortaleceu a representatividade e a legitimidade das organizações populares e dos trabalhadores. Pelo contrário as amesquinhou transformando-as em organizações encabrestadas pelo Estado.

Os seus últimos atos – e o último, o discurso de despedida do governo – são a prova do que afirmo, isto é, que o PT não incorporou o valor da democracia em todo o seu significado.  A acusação de golpe e injustiça, além de uma retórica publicitária com a finalidade de manter seu exército de apoio mobilizado, mostra o desprezo com as instituições da democracia que foram criadas com a Constituinte de 1988.

Todo o processo de impeachment foi comandado pela Constituição Federal.  Os poderes da República, seja o Congresso, a Câmara e o Senado, seja o Supremo Tribunal Federal constituído por ministros que, em sua maioria, foram indicados por Lula ou por Dilma, se manifestaram em todo o processo, com legitimidade e autonomia a medida em que foram chamados, nos termos das leis em vigor.

Dizer que houve um golpe é um desrespeito e uma desconsideração aos poderes democráticos vigentes.  É colocar as nossas instituições sob suspeição tentando destruí-las aos olhos do povo, é o descompromisso com a alma da democracia que, repito, sempre foi para eles instrumental.

Quanto ao novo governo eu tenho fortes restrições a muitos dos ministros indicados.  Nem por isso julgo equivocada a posição partidária que deixou claro o apoio ao novo governo para superar a crise brasileira, com a participação de nossos melhores quadros.

Como um partido político da dimensão política e ideológica do PSDB devemos manter nosso espírito crítico e a nossa capacidade de auto crítica, agindo para que o governo tenha um eixo progressista em busca da melhoria das condições de vida dos brasileiros e da eliminação das profundas desigualdades que são a marca da história brasileira.

 

 

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