Fazer o que? É tráfico de influência?

 

Não me agrada tocar na família de ninguém.  Cada um é responsável por si mesmo, os crimes dos pais não passam para os filhos, nem os dos filhos para os pais.  No entanto quando as atividades de uns têm o poder de influir nas atividades dos outros, em especial quando um deles é o presidente da República, é inevitável que se investiguem os indícios sobre eventual tráfico de influência.

Lula tem cinco filhos, uma mulher, Lurian, e quatro filhos homens.  Esses últimos são todos pequenos ou médios empresários, possuidores cada um de várias empresas.  Curioso, nenhum é empregado.

Um deles, Luís Claudio, está na berlinda porque uma de suas empresas, a LFT Marketing Esportivo, recebeu 1,5 milhão de reais de um escritório de advocacia que fazia lobby para empresas montadoras de veículos que estavam interessadas em uma Medida Provisória do governo federal.  A polícia federal acha, com razão, que é suspeita uma empresa de marketing esportivo realizar serviços desse tipo para um escritório de advocacia.  

Porque me debruço sobre esse fato?  Simplesmente aguardaria o resultado das investigações da PF antes de algum comentário.  No entanto ele me fez lembrar um episódio do qual participei.  Vamos ao fato.

Há alguns anos outro filho de Lula, o mais velho, Fábio Luís, criou, lá pelos idos de 2004, uma pequena empresa, a Gamecorp, para produzir jogos eletrônicos. 

Em 1996 eu havia sido o relator da Lei Geral de Telecomunicações, que dera origem, em 1997, à lei que permitiu privatizar as empresas de telefonia, tendo como uma das resultantes a constituição da Telemar. 

Para surpresa de todos a antiga Telemar, hoje Oi, uma das gigantes de telefonia, que possuía cerca de 1/3 da telefonia de todo território nacional, resolveu comprar, em 2005, por 5,2 milhões de reais, 30% das ações da Gamecorp, tornando-se seu sócio minoritário.  Posteriormente essa empresa passou a produzir conteúdo para o público jovem de celulares da Oi e trabalhos no ramo de jogos, tendo entrado no ramo da televisão em parceria com o Grupo Bandeirantes de Comunicação formando a PlayTV. 

Em determinado dia de 2005 ou 2006, durante o governo Lula, fui convidado a almoçar pelo então presidente da Telemar, cujo nome não me recordo. Conversamos sobre como estava evoluindo o setor de telefonia depois da privatização.  Em um determinado momento resolvi perguntar-lhe porque uma empresa do porte da Telemar havia decidido comprar parte de uma pequena e desconhecida empresa, a Gamecorp.  Surpreso com a pergunta olhou-me com a boca fechada, sem proferir qualquer palavra, fazendo apenas um movimento facial com um aperto dos lábios e um gesto com os braços, abrindo-os e esticando-os como quem diz: “fazer o que?”.

Sua expressão corporal foi mais eloquente do que qualquer palavra, frase ou discurso.  Bastou para entender o que ele queria dizer.

Esse episódio que se deu comigo, e os fatos apresentados nos últimos dias sobre as atividades empresariais dos filhos do Lula, me levam à conclusão de que os filhos do ex-presidente andaram misturando suas atividades privadas com as suas “aptidões” para influenciar ações do governo do pai.  E daí obter vantagens.

Lula e sua família eram gente muito simples por isso chama a atenção os milhões e milhões de reais transitam em suas empresas.  Inclusive na empresa do próprio Lula.

É duro, mas a realidade pode ser triste. 

 

 

 

 

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