Cuba, passado e presente na despedida de Fidel

Em 1980, no meu primeiro mandato federal, estive em Cuba, acompanhado da minha mulher e de deputados federais, estaduais, jornalistas e outros – dentre eles Roberto Freire, Audálio Dantas, Cristina Tavares, Fernando Morais – apesar da proibição da ditadura militar que limitava em nossos passaportes as viagens, proibidas especificamente para Cuba e os países socialistas.  Fomos via Lima e voltamos via Cidade do México.  Foi a primeira delegação parlamentar que contrariava a limitação estabelecida pelo governo militar.  Uma rebeldia que, no entanto, não provocou qualquer retaliação. 


Apesar do programa de visitas ter sido organizado pelo governo cubano pudemos nos movimentar pela cidade de Havana com total liberdade e em segurança, já que não hão havia qualquer sinal da violência urbana que conhecemos no Brasil.  Sentimos o apoio do povo cubano ao seu governo e uma sociedade em que os avanços nas áreas da Saúde e da Educação eram impressionantes.  Foi emocionante conhecer um país pobre, um povo alegre, mais de vinte anos após a revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista que tinha transformado Cuba em uma colônia americana, a pouco mais de 100 km de Miami, um bordel e cassino usado por turistas americanos.  Fidel e seus companheiros lideraram a enorme vitória de um povo que aspirava por liberdade, dignidade e melhores condições de vida.  Sua figura marcou uma época e passou a ser um mito para milhões de pessoas.

Hoje as estatísticas mostram que em Cuba a mortalidade infantil chegou quase a zero, que o analfabetismo se extinguiu, que a perspectiva de vida dos cidadãos está no nível dos países mais desenvolvidos, que o índice de desenvolvimento humano de Cuba é dos maiores entre os países em desenvolvimento e que não existem no país, ainda pobre, as enormes desigualdades de renda e riqueza como as que conhecemos em muitos países, em particular no Brasil. 

Contudo tudo isso não justifica, como pude constatar durante a visita, a inexistência de democracia, a falta de liberdade de opinião, de reunião e de organização dos habitantes do país, a perseguição aos dissidentes muito menos a prisão e execução de opositores, vale dizer, a ditadura.  Expus então que não era aceitável que o Congresso cubano se reunisse em pleno apenas uma vez por ano, que o processo eleitoral fosse dirigido pelo Partido Comunista Cubano, o partido único na ilha, que dizia quem podia ou não ser candidato comandando assim, sem contestação, a vida no país em todas as suas dimensões.  

Enfim os grandes avanços sociais do país, por mais que devessem ser saudados como um enorme ganho para o povo cubano não podiam, e não podem, justificar a inexistência da democracia e das liberdades individuais e coletivas.  

Essa foi minha opinião e dela não me afastei nesses 36 anos decorridos daquela visita.  

 

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3 comments

  • Roberto 29 novembro, 2016   Reply →

    O Brasil pode eleger um presidente de Direita em 2018 e pode ter a direita na Presidência da República Federativa do Brasil em 2019. Para isso deve ocorrer uma aliança entre DEM,PR,PRB,PTB, PSL,PP, Partido Novo e PSC. O Brasil precisa de uma Direita Liberal na economia e conservadora nos costumes, os eleitores pode querer isso. No Rio Grande do Sul, poderia usar o palanque do deputado onyx lorenzoni, esse se candidatando ao governo, marcel van hattem ao senado e/ou ana amélia ao senado e ainda o apoio do Fábio Ostermann na câmara ou no senado, em Santa Catarina convencer o Paulo Bornhausen e a sair do PSB e ir ao PRB,DEM,PP,PTB… e se candidatar ao governo abrindo um palanque para a direita e com o apoio do Espiridião amim. No Paraná convencer o deputado Paulo Eduardo Martins a sair do PSDB e ir para o PRB,DEM,PTB,PP para ser candidato ao governo do Paraná e abrir palanque para o candidato de direita. Em SP convencer o empresário ROBERTO JUSTUS a se filiar ao DEM,PRB,PTB e ser candidato ao governo de SP e abrir um palanque para a direita no estado e convencer doutora Janaína Paschoal a se filiar ao PRB,DEM,PTB e ser candidata ao senado naquele estado. No RJ o candidato pode ser o Cesar Maia, a direita terá um palanque forte . Em MG convencer o Rogério Chequer a se filiar ao DEM,PRB,PTB,PP e a ser candidato à governador e abrir um palanque para a direita. No Espírito Santo, O Senador Magno Malta pode ser o candidato ao governo do estado e abrir um palanque para a Direita. Em GO usar o Palanque do Senador Ronaldo Caiado que irá concorrer ao governo, Na BA o Palanque do ACM Neto que irá concorrer ao governo, Em PE o palanque do Mendonça Filho, ou Priscila Krause, ou Armando Monteiro Neto um desses irá concorrer ao governo. No CE o palanque do Moroni Torgan ou Capitão Wagner, um desses irá concorrer ao governo. No PA convencer ou o deputado Eder Mauro ou o deputado estadual Coronel Neil ou o Helenilson Pontes ou o Joaquim Passarinho a se filiar ao DEM,PRB,PP,PTB e ser candidato ao governo do Pará e abrir um palanque para a direita. Um candidato de direita pode quebrar a polarização esquerda radical(PT, PC do B, PSOL,PDT…) Vs esquerda herbívora(PSDB,PMDB,PSB,PSD,PPS,Solidariedade) que irão se enfrentar em 2018. O candidato da direita pode ser vc, Reinaldo, brincadeira…kkkk, mas pode ser o Mansueto Almeida, Cláudio Shikida,Fábio Ostermann… Porém o melhor nome seria HENRIQUE MEIRELLES!! Ele pode sair do PSD e ir pro DEM.

  • Roberto 29 novembro, 2016   Reply →

    Uma maneira de se privatizar e calar a esquerda “vendeno nossu patrimoniu prus estrangero” idiota: As ações ordinárias em poder da união serão repassadas aos respectivos fundos de pensões das estatais para cobrir o rombo financeiro desses fundos. Ex: A Petros receberá as ações da Petrobrás, a Previ ações do Banco do Brasil, a Funcef ações da Caixa Econômica, o Postalis ações dos Correios.

  • RAFAEL 29 novembro, 2016   Reply →

    Brasil pode eleger um presidente de Direita em 2018 e pode ter a direita na Presidência da República Federativa do Brasil em 2019. Para isso deve ocorrer uma aliança entre DEM,PR,PRB,PTB, PSL,PP, Partido Novo e PSC., para consolidar essa aliança, o ideal é eleger Beto Mansur do PRB ou Jovair Arantes do PTB presidente da Câmara dos Deputados, eleger Ana Amélia, Armando Monteiro ou Magno Malta presidente do Senado

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