Conclamação ao PSDB

Artigo publicado na Folha de S. Paulo

Se sobrasse a Dilma Rousseff e a Eduardo Cunha um mínimo de patriotismo e respeito pelo povo brasileiro, eles renunciariam. Mas, se não pudermos contar com eles, voluntariamente, devemos mobilizar o povo nas ruas para que suas renúncias se imponham ou os processos de perda de seus mandatos se efetivem por ação do Congresso Nacional, nos termos da Constituição.

Dilma perdeu a capacidade de exercer o mandato de presidente da República. Não comanda nem seu próprio ministério. Lula tem de fato o comando do governo.

A Cunha falta a autoridade moral indispensável para presidir a Câmara dos Deputados. Isso fica mais claro a cada dia.

Na Câmara, o resultado será um novo presidente. Na Presidência da República, a assunção de Michel Temer, substituto legal, a não ser que a investigação sobre recursos eleitorais supostamente advindos de corrupção leve o TSE a cassar os mandatos de ambos.

O PSDB não pode mais adiar sua posição. Já perdemos muito tempo de forma, no mínimo, ingênua. Ela deve ser clara, incisiva e mobilizadora, propositiva de algumas reformas, um mínimo consenso para enfrentar a crise e abrir a perspectiva de retomada do desenvolvimento.

O ajuste fiscal é premente. Significa limitação dos gastos públicos, de maneira a não afetar os que mais dependem do Estado, com o objetivo de combate à inflação e retomada de investimentos.

O Estado brasileiro precisa de reformas que lhe dê condições de articular e regular as diversas forças da sociedade, sem que o exagerado ativismo governamental coíba a ação dos mercados e sem que esses predominem sobre o interesse público.

Dentre as reformas, garantir o futuro da Previdência é crucial. Não há como sustentar aposentadorias precoces quando a taxa de natalidade cai e a expectativa de vida sobe.

A reforma trabalhista é imperiosa. As relações de trabalho, subordinadas aos princípios de equidade e razoabilidade, devem ter flexibilidade para que patrões e trabalhadores possam se ajustar, sem a imposição de regras rígidas, para garantir empregos e salários.

A questão federativa é essencial para que o Estado –nos níveis nacional, estadual e municipal– possa funcionar adequadamente e atender às necessidades da população.

A questão energética é urgente. Deve ser focada em fontes não poluidoras, que não devastem florestas, não agridam o meio ambiente e não expulsem milhares de pessoas de suas regiões.

A segurança pública não pode ser mais vista como um problema dos Estados, mas uma questão nacional.

É preciso mudanças nas instituições políticas, a começar pela limitação da existência de partidos e o fim das coligações nas eleições legislativas, fonte de negociatas.

Finalmente, como questão estratégica mais importante, a educação. Precisamos buscar uma escola pública de qualidade, da pré-escola até o ensino médio, uma preparação técnica para o exercício de uma profissão e um ensino superior formando quadros capazes de guiar nosso desenvolvimento.

Essa é a agenda que o PSDB, com a responsabilidade que tem para com o país, deve assumir.

ALBERTO GOLDMAN, 78, ex-governador de São Paulo (2010-2011), é vice-presidente nacional do PSDB

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5 comments

  • Thyrso de Carvalho Júnior 24 novembro, 2015   Reply →

    Brilhante a visão de Alberto Goldman. O PSDB, pela sua importância, deve ser protagonista frente ao clamor geral por mudança e não simplesmente aguardar oportunidade natural para rejuntar os cacos de uma, provável, implosão do governo LuloPTMDBista. Mas, será que além do nome, do bom diagnóstico e boas ideias produzidas pelas suas lideranças, o PSDB não precisa aprender a liderar mobilização? O PSDB não teria que, ao menos, começar mobilizando as suas próprias bases?

  • Marcos 25 novembro, 2015   Reply →

    .
    Chego a pensar que para os políticos o discurso é conveniente e a ação perigosa.

    Estou cansado de discurso

  • age 25 novembro, 2015   Reply →

    Prezado Goldmann,
    Você mostra algumas das mudanças necessárias. Faltam outras, mas que podem ser acrescentadas num planejamento mais abrangente.
    Porém a principal mudança, sem a qual nada será viável é a cultura do cidadão comum.
    Há dezenas de anos, esta cultura foi sedimentada no conceito do ” estado pai”, no sindicalismo protetor dos pobres contra os patrões malvados, etc.
    Como criar uma estratégia para mudar esta cultura arreigada na maior parte da população?
    Evidente que uma campanha com apelos de slogans, formadores de opinião , etc terá que ser desenvolvida. Alguma coisa parecida com o PT, só que honesto.
    Para isto o PSDB não mostra nenhuma competência. Mesmo com a faca e queijo na mão, ele se deixa encurralar pelos oponentes.
    É impressionante o que Governo de SP, vitrine do PSDB para todo o Brasil, tem de REALZACOES em todas as áreas para mostrar.
    No entanto fica calado, inerte, sofrendo bombardeio constante, lamuriando-se e apanhando que nem mulher malandro.
    Então, um partido que não sabe fazer o feijão com arroz, como pretende comandar uma revolução na organização política, social e administrativa do país?

  • PAULINA DI GIORGIO 25 novembro, 2015   Reply →

    TENHO ACOMPANHADO O TRAJETO DO PSDB,E CONTINUO A ESPERAR UMA POSIÇÃO, PERANTE O POVO, QUE TRAGA MAIS ESPERANÇA, PARA OS NOVOS ELEITORES(16 ANOS), QUE IRÃO DE FATO SOFRER, O DESGOVERNO ATÉ AGORA, E A LIMPESA DOS PTRALHADA, PARA SEMPRE, E O BRASIL, SE FIRMAR PERANTE O SEU POVO, PRINCIPALMENTE E SÃO PAULO.

  • Hilton de Oliveira Rego 28 novembro, 2015   Reply →

    Parabéns Alberto, esta conclamação deve ser agilizada pelo PSDB que tenho achado muito inerte. Tenho 79 anos de idade e acompanho a política brasileira desde os 9 anos.
    Saudações.

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