Apesar do espetáculo grotesco é preciso pensar no Brasil.  O PSDB ainda é a esperança

O julgamento no TSE da ação de abuso do poder econômico e político praticado pela coligação que elegeu Dilma e Temer em 2014, impetrada pelo PSDB, escancarou ao país a tragédia em que vivemos e mostrou como o Poder Judiciário pode ser grotesco e tomar decisões lamentáveis.

Esperamos que as cortes brasileiras não se componham de muitos Napoleões, Admares e Tarcísios, três magistrados que compõem o TSE visivelmente a serviço do Presidente da República.  Não é menos frustrante a conduta do presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, que em um raciocínio tortuoso,  no afã patriótico de preservar a precária governabilidade de Michel Temer, e esquecendo que há poucos dias havia declarado que não se pode usar os tribunais para resolver problemas políticos, acabou por respaldar o conceito de que os fins justificam os meios, principio também invocado pelo nosso moderno Torquemada, o procurador geral da República Rodrigo Janot, para o qual desde que se chegue a  limpar o Brasil e pretensamente salvar o futuro do país pode-se usar métodos e concessões condenáveis.  Todos saudamos os frutos da operação lava jato, que deve continuar, mas é essencial mantê-la dentro dos marcos das nossas instituições democráticas.

No caso em julgamento o mundo todo, os julgadores inclusive, têm a convicção de que houve abuso de poder econômico e político na eleição da chapa Dilma/Temer.   Porém sob o argumento de agir para o bem do Brasil e salvar o governo eles absolveram a chapa Dilma/Temer … por excesso de provas.

A decisão do TSE que inocenta a chapa inocenta mais a cabeça dela, Dilma, que Temer, coadjuvante no episódio.  A conclusão lógica seria devolvermos o mandato à Dilma e lhe pedirmos desculpas pelos transtornos que lhe causamos. De abuso do poder econômico e político ela estaria isenta, não aos olhos do povo mas sob a ótica do TSE.

É nosso dever pensar no Brasil acima de tudo.  Por isso precisamos estar prontos a pagar o preço de uma estabilidade que possa manter a esperança de dias melhores, mas não às custas dos valores mais caros às instituições democráticas. 

Nesse deserto que tem sido o mundo político, o PSDB ainda é uma esperança.  O PT acabou, o PMDB chafurda na lama na sua quase integralidade, os demais partidos da base do governo são compráveis por muito pouca coisa e os nanicos da oposição bradam sem qualquer eco. 

O PSDB também está ferido, ainda que não mortalmente.  É o que resta de vida saudável no meio da podridão.  Cabe-lhe tomar decisões e atitudes que preservem a nossa vida democrática e garantam um mínimo de governabilidade para se chegar até as eleições de 2018.  Mais estabilidade institucional do que estabilidade política, e não pode apenas discutir a sua participação no governo de Michel Temer – que passa a maior parte do seu tempo dedicado a evitar a própria queda e a queda de seus mais próximos.   

O PSDB tem de ter projetos básicos para a Nação que não se limitam a garantir as reformas trabalhista e previdenciária.  Tem de avançar sobre todo o corrupto sistema eleitoral e partidário com reformas que a curto prazo acabem com as coligações partidárias e com a vergonha das dezenas de partidos que só sugam recursos públicos e negociam até a alma, construindo sistemas de financiamento de campanhas que não reproduzam a podridão dos processos eleitorais e introduzindo um sistema distrital que possa significar no parlamento a verdadeira vontade e soberania populares. Nada a ver com a emenda constitucional que foi por nós articulada e aprovada no Senado ou com os projetos de lei em gestação na Câmara dos Deputados.  

Esses são os desafios que temos de levar adiante, ao lado de uma reformulação da nossa vida partidária, inclusive de suas direções em todos os níveis. 

Aí então seremos dignos de nos distinguirmos do lixo que se acumula na vida política nacional e teremos a coragem de nos apresentar como algo diferente de tudo que o povo abomina. Somos um sopro de esperança na vida política nacional uma luz que, se apagar, dará margem às aventuras dos salvadores da pátria e dos que tem a democracia apenas como instrumental para a satisfação de suas ambições. 

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3 comments

  • Ailton do Carmo Nery 12 junho, 2017   Reply →

    Parabéns Goldman!
    Concordo com tua análise.
    É isso mesmo, não podemos deixar de apagar a última chama, se desejamos uma democracia avançada, que seja uma referência
    participativa e muito mais representativa para a nossa sociedade.

  • Valtércio gomes da Nóbrega 12 junho, 2017   Reply →

    Sr. Goldmam, sua análise é justa e ponderável. Todavia, o PSDB,em muitos de seus políticos, necessita cortar na carne para se tornar a única via de salvação política no País. Todos nós sabemos que o Psdb esta cheio de atores e coadjuvantes desta patifaria que dança no mar de lama que cobre o País.

  • Alberto Figueiredo 12 junho, 2017   Reply →

    No inicio, a menção da autoria do PSDB no processo, apesar de verdadeira denota orgulho indevido, pois os últimos fatos tem mostrado, ao contrário do que afirma, que o PSDB talvez não como instituição, não é diferente dos demais na malfadada prática de financiar as campanhas politicas em conluio com prestadores de serviços públicos, que começa já nas campanhas municipais. Não, para renovar a lógica politica seria necessário uma extirpação geral na política, aliás como ocorre na França, pois não será possível qualquer governabilidade com o atual grupo no governo, cuja decantada habilidade negocial não passa do exercício da mesma prática de compra de votos de sempre, ou não é?

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