A verdadeira face do PT .  Uma declaração de guerra.

 

Logo após a aceitação pelo Senado do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o  Diretório Nacional do PT apresentou a sua “Resolução Sobre Conjuntura”.  Nessa resolução a admissibilidade do processo contra a presidente é apresentada como uma “manobra” para “a recuperação da direção do Estado pelas velhas oligarquias da política, da mídia monopolizada e do grande capital”, através de um “golpe parlamentar que rompeu a ordem democrática e rasgou a Constituição” promovido pelas “classes dominantes”, e “representa o desfecho de uma ofensiva planificada”…”destinada a conduzir um amplo programa de reorganização do desenvolvimento capitalista nacional.”

Segundo o documento o “golpe” foi dado em nome da “cartilha neoliberal”: “arrocho de salários e aposentadorias, eliminação de garantias trabalhistas, corte de gastos com programas sociais, anulação das vinculações constitucionais em saúde e educação, privatização de empresas estatais e abdicação da soberania sobre o pré-sal, e submissão do país aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais. “

O documento nos faz lembrar os textos do antigo partido comunista da década de 1950 e dos partidos mais radicais da atualidade, dos movimentos dissidentes que foram à luta armada na década de 60, e dos grupos petistas no início de sua vida política com uma visão dogmática.

Segundo a Resolução Dilma era “o obstáculo a ser removido (na visão dos ‘golpistas’) de forma imediata e a qualquer custo, indispensável para a criminalização do PT, a desarticulação repressiva dos movimentos sociais e a interdição do ex-presidente Lula como alternativa viável nas eleições de 2018.”  Tem a coragem de afirmar que “a operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista.”  Segundo o PT a operação lava jato “revela o alinhamento de diversos grupos do aparato repressivo estatal – delegados, procuradores e juízes – com o campo reacionário.,,”.

Esse discurso completamente dissociado da realidade, sem qualquer fundamento nos fatos, usado apenas como instrumento de defesa do partido em flagrante processo de desmoronamento, vai além.  Acusa a tentativa de “desestabilizar as demais experiências progressistas na América Latina para reconstruir a hegemonia imperialista sobre a região” e “para atender as prioridades da geopolítica norte americana sob a lógica de retomar o controle sobre fontes essenciais de matérias primas e energia…”, para fragilizar as alianças regionais “progressistas” e influir na evolução dos BRICS…

Nada mais ultrapassado e irreal.  Parece a volta ao passado dogmático que destruiu os sonhos de milhões de pessoas que acreditaram ser possível, através das ditaduras do proletariado, construir um novo mundo.

O resumo do documento não é uma auto crítica quanto aos erros cometidos que levaram à repulsa da sociedade.  Segundo a resolução o erro foi não terem sido  levadas adiante as posições dogmáticas que, por décadas, foram defendidas pelas  auto denominadas “esquerdas”.

Quando a resolução fala em “equívoco” do governo é para se referir a terem “relegado tarefas fundamentais como a reforma política, a reforma tributária e a democratização dos meios de comunicação”, sem explicitar quais seriam as medidas concretas necessárias.

O extremo dessa visão totalitária é o trecho em que proclama que haveria a necessidade de “reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, modificar os currículos das academias militares e promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista, bem como fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.

Lá adiante a resolução admite que “terminamos envolvidos em práticas dos partidos políticos tradicionais, o que afetou negativamente a nossa imagem e abriu flancos para ataques de aparatos judiciais controlados pela direita.”

No plano da análise da política econômica a resolução não reconhece a responsabilidade da política de governo – mais uma vez a culpa é da crise internacional –  pela crise em que vivemos.  Pelo contrário lamenta que ela não tenha se radicalizado “com a tributação dos mais ricos e desmontagem do oligopólio dos bancos, com um novo ciclo programático para possibilitar a ampliação dos investimentos e a expansão do mercado interno”.   Dilma no segundo mandato teria optado por “aceitar a agenda do grande capital” e adotado “medidas de austeridade sobre o setor público, os direitos sociais e a demanda, ao invés de acelerar o programa distributivista como havia defendido na campanha eleitoral”.  Isso é, a crise se dá pela tentativa do ajuste fiscal, “gerando confusão e desânimo entre os trabalhadores”, o que teria fragilizado o PT e o governo.

Finalmente o documento indica que “o centro tático para este novo período ( pós aceitação do processo de impeachment pelo Senado) – sob a palavra de ordem ‘Não ao golpe, fora Temer’ – deve ser a derrocada do governo ilegítimo…impedir a sua consolidação no comando do Estado”.  Contra ele “não há oposição moderada ou conciliação possível’.

Como se verifica, uma declaração de guerra dos verdadeiros cultores do golpe.  A confissão de que o compromisso com a Democracia não passa de discurso tático.  De que o interesse público não está na mira do partido.  A reafirmação de que, em nome do poder, podem fazer o diabo, como disse a própria Dilma durante a campanha eleitoral.

 

Não vamos nos intimidar.  Vamos enfrenta-los com os instrumentos que a Democracia nos concede e mobilizar o povo brasileiro contra os grupelhos que sabem fazer barulho mas que não representam a alma e a consciência do nosso povo.

 

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One comment

  • João Luiz Saracchini 23 maio, 2016   Reply →

    Caro Goldman, pergunto; como desatar o nó político criado com os conchavos, corrupções, crimes, omissões, gestores desqualificados, e outras mazelas no qual o próprio PT se emaranhou e no qual a maioria dos políticos tem um pé, seja diretamente, seja pelo seu partido ou coligação os quais agora estão com a “batata quente” na mão?
    Não vejo nenhum vislumbre de altruísmo de “suspeitos” se afastando do centro nervoso do comando nacional em prol da retomada da credibilidade. Continuo vendo políticos, partidos, sindicados, grupos sociais organizados ou não apenas defendendo seu quadrado sem uma única preocupação com o encadeamento que derrubou a Dilma e se transformou em um redemoinho vicioso com a sequencia do desgoverno, a falta de dinheiro, a falta de credibilidade, a falta de investimento,a retração na economia, o aumento da inflação.
    Se o atual governo usar a única ferramenta que pode salvar o país, que é colocar tudo as claras com toda verdade, politicamente dará um tiro no pé, pois perderá o apoio político e a governabilidade.
    Vejo que somos um país em estágio terminal, mas que diferentemente de um ser humano nessa condição que opta por aproveitar a vida ao máximo anestesiando as dores e gastando todas energias em prazeres já que ela se extinguirá, no caso de um país a doença e suas dores são transferidas para seus descendentes, aí não é uma questão de aproveitar a vida que se extingue, mas de solidariedade com os que a herdarão.
    Estamos rezando, queimando ramo bento e acendendo velas para que o redemoinho se acalme, só que a economia também segue as leis da natureza e se as causas não forem combatidas teremos um furacão pela frente. Neste momento lembro da “marolinha” e não lembro de ninguém gritando aos quatro ventos que o tsunami vinha atrás. A maioria dos brasileiros ainda acha que essa agitação é apenas um pezinho de vento e que vai passar. Se fosse só crise política ou ideológica, sem dúvida passaria, mas é de falta de dinheiro, aí a conversa é outra.

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