A era Lula morreu. É muita carne morta. A era seguinte ainda não nasceu.

 

Transcrevo aqui o primeiro parágrafo do post (era um artigo que o Estadão não quis publicar) de 09 de julho de 2013 (link: http://albertogoldman.org/blog/o-fim-de-uma-era) com o título de O fim de uma era:

“Estamos vivendo o fim da era Lula. Não passará de 2014, com o término do mandato presidencial de Dilma Rousseff. O modelo político e econômico do petismo se exauriu e a presidente perdeu, de forma irreversível, a sua credibilidade. O país vai se arrastar, cambaleante, pelo próximo ano e, independentemente do resultado das eleições, nada mais será o mesmo. Quem for eleito receberá uma herança pesada e terá de encontrar novos caminhos para superarmos a estagnação.”

Hoje, domingo, o Estadão publica a coluna de Dora Kramer “Nó Górdio” que traduz o quadro caótico em que nos encontramos, dois anos após o post citado.

Vamos aos fatos.  Dilma Rousseff e Eduardo Cunha são “carne morta”.

Perdoem o uso dessa expressão sem qualquer sentido de ofensa pessoal, mas ela era usada pelos meus filhos quando viam em algum filme de terror a proximidade do fim de algum personagem. Temer, Renan e Lula também estão em vias de se tornar “carne morta”.  É o fim de uma era, sem que tenhamos qualquer percepção do que virá em seguida.

No caso do PT e seus aliados erros – e crimes – foram cometidos.  No caso da oposição, agora mais combativa e presente, erros infantis, produzidos pela imaturidade e pela falta de uma maior e mais profunda discussão das estratégias a serem adotadas, que desembocaram nessa ridícula tentativa de se apoiar sobre o pântano para, de tacape na mão, tentar por abaixo, de vez, a árvore podre que ainda sobrevive, vale dizer, o governo da República.  O chão lhe fugiu, a árvore balançou, mas o governo ainda não caiu.

Enfim a era petista acabou.  A tentativa de sobrevida com Joaquim Levy deu com os burros n’água.  Também é carne morta.  O presidente do PT moribundo, Rui Falcão deu, na entrevista à Folha, o tiro de misericórdia.

E daí, qual é a situação?  Os mortos não foram ainda enterrados, e os quase mortos ainda respiram e esperneiam.  A era seguinte ainda não nasceu.  Vai levar algum tempo.

O drama é que não sabemos como desatar o nó, e temos de fazê-lo respeitando os princípios democráticos e nos apoiando nas instituições vigentes.  Não há outro caminho.

Será que aprendemos alguma coisa?  Os partidos, sem os quais a democracia não existe, existem (ou deveriam existir) para juntar pessoas que discutem táticas, estratégias e planos de ação.  Cada qual tem um ponto de vista que leva a um resultado não coincidente com a concepção de qualquer uma delas.  Por isso o aprofundamento das discussões é necessário e conduz a decisões cujos resultados são as mais eficazes ações políticas que se podem produzir.  Mas estamos muito longe de praticar essa conduta.

É um parto difícil que já se arrasta por anos, e pode levar ainda mais tempo, mas não existe outro caminho e não existem atalhos.  É doloroso mas pode resultar em abrir para o país a perspectiva de um futuro que o nosso povo merece.

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One comment

  • Mario 21 outubro, 2015   Reply →

    Prezado Alberto Goldman,

    “(…)O drama é que não sabemos como desatar o nó, e temos de fazê-lo respeitando os princípios democráticos e nos apoiando nas instituições vigentes. Não há outro caminho.(…)”

    Eu por um bom tempo tentei ver a questão sob esse aspecto. Mas o trecho em que você diz “(…) nos apoiando nas instituições vigentes. Não há outro caminho(…)” não é mais possível sustentar em qualquer discussão séria sem ser desmoralizado por quem falar boas verdades. As instituições vigentes perderam totalmente a credibilidade e o lastro com o povo. Como é que, depois de tantas barbaridades amplamente comprovadas, um grupo político com 7% de aprovação e 93% de desaprovação continua comandando o País? Ora essa, as próprias instituições são a face oficial (face empavonada) dos inimigos do povo. Isso é sinal claro de que as instituições estão mortas, devendo elas ser incluídas na carne morta e fora da era que está para nascer, para o bem do povo sem voz e representatividade nelas. Veja alguns exemplos da credibilidade que o povo dá às instituições:

    Tabela 53 – GRAU DE CONFIANÇA NO GOVERNO
    RESPOSTA JUL/2015 (%)
    Confia sempre 2,0
    Confia na maioria das vezes 8,9
    Confia poucas vezes 31,6
    Não confia nunca 56,2
    Não sabe / Não respondeu 1,3
    Total 100,0

    Tabela 57 – GRAU DE CONFIANÇA NOS PARTIDOS POLÍTICOS
    RESPOSTA JUL/2015 (%)
    Confia sempre 1,0
    Confia na maioria das vezes 3,7
    Confia poucas vezes 20,7
    Não confia nunca 73,4
    Não sabe / Não respondeu 1,2
    Total 100,0

    Se o povo brasileiro pudesse acordar do sono a que está submetido pelos ilusionistas de BSB, os quais afastaram o Brasil das democracias ocidentais, certamente seguiria o exemplo ucraniano para encontrar a soberania. Enquanto o povo não comandar o poder político, os brasileiros não poderão ter seus direitos fundamentais assegurados.

    Fonte:

    http://imguol.com/blogs/52/files/2015/07/pesquisa-cntmda-128-relatorio-sintese.pdf

    Mario

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